PMDB tem que resgatar princípio do ‘não roubar’

PMDB tem que resgatar princípio do ‘não roubar’

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Luiza Pollo

09 de maio de 2016 | 05h00

Brasil, São Roque, SP, 02/09/2014. Retrato do ministro-chefe da Aviação Civil, Moreira Franco durante coletiva de lançamento do novo Aeroporto Catarina, no município de São Roque, em São Paulo. - Crédito:HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:173421

Moreira Franco / Foto: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/

Entrevista com Moreira Franco (PMDB-RJ), ex-ministro e ex-governador

Um dos aliados mais próximos de Temer e nome certo na sua equipe, o ex-ministro Moreira Franco diz que, se assumir a presidência da República, o PMDB deve resgatar o discurso de Ulysses Guimarães na Constituinte, quando afirmou que “o princípio inaugural da República é não roubar, não deixar roubar e colocar na cadeia quem rouba”. Diante de especulações sobre um possível ministério formado por citados na Lava Jato, Moreira diz que delação premiada não é sinônimo de prova, mas a “suspeita da suspeita da suspeita”.
Dilma X Temer
Será totalmente diferente. Primeiro, no método de condução política parlamentar que foi extremamente desprezado no governo Dilma. Segundo, a política econômica terá compromissos com fundamentos abandonados nessa gestão.
Prioridades
Controle da inflação, gastos públicos de acordo com as condições reais para manter equilíbrio fiscal, superavit primário para evitar que se pague dívidas com empréstimos, segurança jurídica.
Ministro da Fazenda
Terá o comando do ministério, mas também vai estar presente na Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil, no Banco Central, coisa que, no governo atual, sobretudo nesse final, não existia porque os cargos eram preenchidos exclusivamente por critérios do voto contra o impeachment.
Erro de Dilma
Uma das observações que todos sempre fizeram é que, em muitas áreas, quem tocava politicamente e administrativamente o ministério perante a presidente da República era um secretário executivo. Se o presidente Michel Temer assumir o mandato, ministro vai ser ministro; secretário executivo será subordinado ao ministro.
Relação com o Congresso
Temer sabe que a prática do troca-troca como a moeda exclusiva no relacionamento político-parlamentar não é eficaz. É fundamental restabelecer algo que se perdeu da vida parlamentar desde o Mensalão, que é um comprometimento do deputado com objetivos políticos programáticos.
Negociações
Uma das primeiras medidas será convocar os partidos para discutir o programa do governo. E não querer que essas medidas sejam abraçadas pelo voto do parlamentar exclusivamente por interesses de natureza mercadológica.
Distribuição de cargos
Não acho que participar de cargos seja algo que atente contra a moral pública. Agora, é preciso decência, é preciso espírito público, é preciso transparência. Então o que é condenável é a falta de espírito público, é a falta de decência.
Parâmetros
O dr. Ulysses, na Constituinte, sintetizou, quando falou da moral da República, que a República precisa, para ser decente, de valores. Ele disse, e tem sido sempre referencial essa afirmativa dele, que o princípio inaugural da República é não roubar, não deixar roubar e colocar na cadeia quem rouba. Então nós temos que resgatar isso.
Investigados X cargos
Cada caso deve ser avaliado em função da profundidade e extensão. Uma coisa é uma pessoa citada em uma delação, que não há nem processo de investigação. É a suspeita da suspeita da suspeita. Outra coisa é a pessoa que já está em fase avançada de investigação.
Lava Jato e o PMDB
A operação Lava Jato está fazendo investigação.
Eleições 2018
É um sonho do partido eleger o presidente da República, pelo voto secreto. É fundamental que nós realizemos esse sonho. Mas, no momento que o Brasil atravessa, em primeiro lugar deve vir o País. Não o partido, não os grupos, não a vitória eleitoral, mas o País.
País dividido
Temos que buscar unificar, pacificar a sociedade brasileira para tirar o País da crise. Essa é a meta, o rumo que devemos seguir, que vamos seguir.
Presidenciáveis e o governo
O primeiro objetivo já definido pelo presidente Temer é o interesse do País, não a organização ou preocupação com vitórias eleitorais.

Entrevista a Andreza Matais

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