Plano da Saúde chegou tarde, avaliam gestores

Plano da Saúde chegou tarde, avaliam gestores

Coluna do Estadão

30 de março de 2020 | 05h00

FOTO: MINISTÉRIO DA SAÚDE

O documento do Ministério da Saúde entregue a secretários municipais e estaduais com o plano de combate ao covid-19 foi lido por gestores como uma iniciativa tímida e tardia. Uma das principais sugestões, fechamento de escolas, já foi implementada nas últimas semanas em diferentes Estados. Quem já implementou medidas ainda mais restritivas de isolamento diz que não vai retroceder com base na orientação federal. Apesar disso, reconhecem na iniciativa um aspecto bastante positivo: a Pasta tenta unificar as ações de combate ao vírus.

Relax. Mesmo que Bolsonaro faça um decreto autorizando “toda a profissão que for necessária para o sustento” a voltar às ruas, como sinalizou, gestores de Saúde e governadores dobram a aposta e dizem que, na prática, nada vai mudar.

Relax 2. Um governador ouvido pela Coluna estava confiante de que, se acionado, o STF manterá posicionamento em respeito ao princípio federativo. Lembrou da recente decisão do ministro Marco Aurélio Mello liberando os Estados a adotarem medidas próprias de isolamento.

Sem chance. “Um decreto desses seria inócuo. Até para usar linguagem militar, que Bolsonaro tanto gosta: mesmo nas Forças Armadas, ninguém é obrigado a cumprir ordem absurda”, disse Alberto Beltrame, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde.

CLICK. A PM do Pará prendeu onze pessoas por desobedecerem decreto que proíbe aglomerações. O grupo fazia carreata contrária às medidas de isolamento.

Divulgação/Governo do Pará

Zás. A cúpula do Congresso estuda prazos mais curtos para a análise das medidas provisórias relacionadas ao combate à pandemia. Hoje são 120 dias.

The flash. Uma das propostas prevê nove dias na Câmara e cinco no Senado. Se houver mudança na redação, os deputados teriam mais dois dias para análise.

Vem… Segundo aliados de Marcelo Crivella, o prefeito do Rio de Janeiro acredita que terá o apoio de Jair Bolsonaro nas eleições deste ano e que, por isso, trouxe o vereador Carlos Bolsonaro para o Republicanos.

…pra cá. No entorno de Crivella, a estimativa é de que filho do presidente consiga se reeleger com ao menos de 200 mil votos, o que fortaleceria qualquer chapa.

Municipais. A pré-candidata à Prefeitura de SP Joice Hasselmann (PSL) fechou sua primeira aliança: Democracia Cristã (DC), partido de Eymael.

SINAIS PARTICULARES.
Osmar Terra, deputado federal (MDB-RS)

Kleber Sales

Atleta. O deputado Osmar Terra (MDB-RS), apesar de idoso e, portanto, mais suscetível ao covid-19, não abriu mão de suas caminhadas. A Coluna mostrou que ele é a nova referência dos bolsonaristas no combate ao coronavírus.

Vai que. Em ofício a Marcos Pontes, a UnB pede ao ministro que reveja portaria da Ciência e Tecnologia determinando como prioridade para recebimento de bolsa de pesquisa uma única área: tecnologia, com a justificativa do covid-19. O PSOL e o PSB também pediram à PGR para interceder.

Traduzindo. Na prática, com o orçamento do CNPq cada vez mais enxuto, as demais ciências – básicas, sociais aplicadas e humanas – devem acabar sem bolsa.

Só eles. A expectativa entre técnicos é de que até o edital de iniciação científica para universitários de todas as áreas, Pibic, acabe se encaixando na nova regra. No ano passado, foram 25 mil bolsas a estudantes.

BOMBOU NAS REDES!

Foto: Beto Barata/Estadão

Alessandro Molon, deputado federal (PSB-RJ): “Enquanto o Brasil se prepara para uma semana decisiva na guerra contra o coronavírus, Bolsonaro debocha das famílias que se isolam para evitar o que pode ser a maior tragédia humanitária do País”.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.