Planalto tenta ‘pacificar’ sua comunicação

Planalto tenta ‘pacificar’ sua comunicação

Coluna do Estadão

23 de julho de 2019 | 05h00

Após o final de semana de caneladas do presidente Jair Bolsonaro e de seu entorno, o Planalto deflagrou uma operação paz e amor, a ser tocada por Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). O general, recém-empossado, começou a fazer o meio-campo entre os desarticulados Fábio Wajngarten (Secom) e Rêgo Barros, o porta-voz. Em longas reuniões, ficou definido que eles precisam se acertar, caso contrário, a própria estrutura da Comunicação pode ser revista, com a possibilidade de o cargo de porta-voz ficar abrigado em outro estrutura

Se acertem. O primeiro teste será o próximo café de Bolsonaro com jornalistas. Previsto para agosto, ele deverá ter nova configuração e maior ingerência de Wajngarten. Atualmente, esses encontros são organizados por Rêgo Barros.

Calma… A propósito: apesar das teorias conspiratórias sobre as postagens do áudio captado do cochicho entre o presidente e o ministro Onyx Lorenzoni, em que a TV Brasil ficou na berlinda, uma sindicância foi feita no final de semana.

… pessoal. A conclusão é de que não houve dolo, mas sim um “erro” na comunicação. Ninguém deve ser demitido. O episódio serviu para a criação de novos protocolos envolvendo vídeos com o presidente, supostamente mais seguros.

Para entender. Foi justamente nesse cochicho, com câmeras e microfones ligados, que Bolsonaro criticou governadores do NE.

Balaio. O descontentamento com o formato dos encontros entre Bolsonaro e jornalistas é antigo. Uma das críticas: perfis diferentes em um mesmo encontro, como o que envolveu a apresentadora Luciana Gimenez e profissionais especializados em política.

A ver. Surgiu o temor de que a escalada das declarações de Bolsonaro possa atrapalhar o segundo turno da reforma a Previdência na Câmara dos Deputados.

Me perdi. Sete decretos presidenciais sobre o tema depois, um deputado protocolou um requerimento de informação ao Ministério da Justiça para saber, afinal de contas, quais são as regras que valem hoje para posse e porte de armas.

CLICK. Filipe Sabará (Fundo Social de SP), Daniel José (deputado estadual) e Janaina Lima (vereadora), todos do Novo-SP, acabaram de concluir cursos nos EUA.

Divulgação Filipe Sabará

SOS… O novo contingenciamento orçamentário atingiu em cheio o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que suspendeu o edital de bolsas especiais para a pós-graduação.

… da ciência. O conselho tinha a expectativa de receber recursos do crédito suplementar, caso ele tivesse sido aprovado pelo Congresso, o que não ocorreu.

Limite. Segundo o CNPq, a partir de setembro não haverá mais dinheiro para pagar as bolsas em andamento dos pesquisadores.

SINAIS PARTICULARES.

Fernando Meirelles, cineasta.

Kleber Sales

Muda… O cineasta Fernando Meirelles disse temer que mudanças anunciadas pelo governo para a Ancine signifiquem, na verdade, um direcionamento dos recursos apenas para projetos alinhados ao governo. Ele apoiou Marina Silva (Rede) para presidente.

… para o que? “Eu preferiria não ver dinheiro público financiando filmes para promover pastores e aumentar a renda de suas igrejas, mas, diferentemente dele (Jair Bolsonaro), admito a existência desses filmes”, disse à Coluna o diretor indicado ao Oscar pelo filme Cidade de Deus.

PRONTO, FALEI!

ARQUIVO PESSOAL

Bruno Langeani, gerente do Instituto Sou da Paz: “A consequência é o empobrecimento de políticas públicas. A sociedade civil traz um canal direto dos destinatários das ações”, sobre a extinção de conselhos.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA.

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