Planalto repensa tática após confusão na CCJ

Planalto repensa tática após confusão na CCJ

Coluna do Estadão

05 de abril de 2019 | 05h00

Paulo Guedes na CCJ. FOTO: ANDRE COELHO/ESTADÃO

O aperto vivido pelo ministro Paulo Guedes na CCJ deu força ao grupo no Planalto que defende o incremento e a segmentação da estratégia de comunicação da reforma da Previdência. Auxiliares palacianos de Jair Bolsonaro avaliaram que Guedes deveria ter levado uma apresentação com gráficos e números para tornar mais palpável o problema para os deputados. Também lamentaram a falta de imagens simples, tais como o “Brasil está no cheque especial” ou comparações com os gastos de uma família, que traduziriam a situação para leigos.

Tudo certo. Apesar do desfecho, Guedes e sua equipe avaliam que foi importante o ministro não ter escondido sua personalidade. Na opinião desse núcleo, ele não deve passar a imagem da esperteza de um político escorregadio.

Vamos… A pesquisa que a corretora de investimentos XP divulga hoje mostra que o grupo de brasileiros a favor (37%) de Bolsonaro flexibilizar suas posições com o Congresso para aprovar sua agenda é maior do que os contrários (33%).

…conversar? Para a maior parte (43%), a relação de Bolsonaro e Rodrigo Maia é muito importante; 38% afirmam ser importante e 15% dizem ser pouco ou não ter importância.

Alerta. O levantamento, realizado entre os dias 1.º e 3 de abril com mil pessoas, mostra que 61% dizem ser necessária a Nova Previdência, ante 71% em janeiro. De março para abril, passou de 37% para 42% o grupo que avalia o governo como ruim ou péssimo.

Voz da experiência. Na sua conversa com Bolsonaro, Geraldo Alckmin (PSDB) sugeriu ao presidente correr para aprovar a reforma da Previdência ainda este ano. No próximo, as eleições municipais vão tumultuar o ambiente.

Fica a dica. Marcos Pereira (PRB) disse a Bolsonaro que os ministros não atendem parlamentares. Disse que a política é atenção, gestos e respostas. “Prefiro um não bem explicado a um sim atravessado.”

O cara. Nos encontros com dirigentes partidários ontem, Bolsonaro mais ouviu do que falou. Coube a Onyx conduzir as reuniões.

SINAIS PARTICULARES
João Doria, governador de São Paulo (PSDB)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Yin/Yang. Enquanto Bolsonaro deu entrevista à rede Fox News na viagem aos EUA, Hamilton Mourão deve ser entrevistado pela CNN. As duas emissoras mantêm relação antagônica com Donald Trump. A primeira está próxima e a outra é alvo frequente do presidente norte-americano.

Paz. O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues, visitou Mourão ontem. “Temos divergências, mas ele é coerente em muitas posições. Nossa oposição não é ao País, pena que o presidente não entenda isso”, disse o senador.

CLICK. Michelle Bolsonaro e o ministro Osmar Terra visitaram a reabilitação da Rede Sarah. O objetivo foi ver os trabalhos e aperfeiçoar o atendimento aos mais carentes.

FOTO: MINISTÉRIO DA CIDADANIA/DIVULGAÇÃO

Unidos. Candidatos ao cargo de procurador-geral da República acertaram na ANPR que não aceitarão ser nomeados por Jair Bolsonaro caso não consigam alcançar os votos para estarem na lista tríplice.

Cortesia. João Doria (PSDB) visitou ontem na Assembleia-SP os deputados da atual legislatura. Há grande apreensão entre a bancada tucana sobre a atuação do PSL, se será oposição ou base governista.

PRONTO, FALEI!

Felipe Francischini. FOTO: CLEIA VIANA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Felipe Francischini (PSL-PR), presidente da CCJ: “Por mais que eu seja do PSL, não posso atuar pelo governo. Acabo ficando de mãos atadas”, sobre críticas à condução da audiência de Paulo Guedes na CCJ.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE

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