PGR avalia que Deltan Dallagnol não fará falta e precisará admitir ‘culpa’ para sair

PGR avalia que Deltan Dallagnol não fará falta e precisará admitir ‘culpa’ para sair

Alberto Bombig e Matheus Lara

05 de novembro de 2021 | 05h00

No entendimento de membros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), Deltan Dallagnol poderá deixar a Procuradoria comprovando que, para ele, os fins justificam os meios. Conforme a lei, membros do MP que têm processo disciplinar pendente contra eles não podem se candidatar imediatamente. Segundo apurou a Coluna, na PGR e no CNMP a leitura é de que o ex-líder da Lava Jato precisará declinar do recurso ao STF contra punição recebida em 2019. Caso contrário, o processo continuará vivo, em aberto. Ou seja, pela tese, para estar na urna, Dallagnol terá de aceitar a sanção de advertência e admitir o erro, a “culpa”.

Adeus. Breve resumo de avaliação reservada feita no gabinete do PGR: Dallagnol não fará falta porque tem dificuldades em lidar com princípios como o da impessoalidade, da unidade institucional e do respeito ao devido processo legal.

Foto: Fábio Motta/Estadão

Olho aberto. Do outro lado da trincheira, há quem já enxergue Dallagnol como uma futura pedra no sapato de Augusto Aras: se for eleito senador, o ex-coordenador da Lava Jato tomará posse em janeiro de 2023, e o PGR só sairá do cargo em setembro do mesmo ano. Líquido e certo: a gestão Aras foi decisiva para a decisão de Dallagnol.

Eita. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Ubiratan Cazetta, disse à Coluna se preocupar com a repercussão da decisão de Deltan Dallagnol de migrar para a política, como revelou o Estadão.

Déjà vu. “Não é bom para o MP qualquer relação que possa parecer político-partidária. A Lava Jato caiu nesse campo na visão de seus críticos. A imagem foi reforçada quando Moro saiu da magistratura e entrou no Executivo e será reavivada agora com Deltan. É algo injusto”, afirma Cazetta.

Contexto. Dallagnol recorreu ao Supremo para suspender a punição de advertência imposta pelo CNMP por críticas feitas à atuação de ministros da Corte em entrevista.

Defesa. Políticos de esquerda usaram as redes sociais para acusar Dallagnol de atuar com motivação político-partidária na operação Lava Jato após o anúncio sobre deixar a procuradoria. Cazetta rebate: “Se Deltan Dallagnol tivesse atuação com essa motivação, teria saído candidato em 2018, quando a operação estava mais evidente”.

CLICK. Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, publicou bastidores de entrevista concedida à “Rádio Eldorado” na estreia do programa “SP em Pauta”, nesta quinta, 4.

Bússola. Ciro Gomes não comoveu tanta gente no PDT quanto gostaria com o anúncio da “suspensão” de sua candidatura a presidente. Alas do partido acham que a pré-campanha até agora é uma nau sem norte, sem rumo definido.

Pra bom… Carlos Lupi, presidente do PDT, tem deixado recado claro aos deputados que disseram “sim” à PEC dos Precatórios: no 2.º turno, só conta com voto pró-governo por parte de quem já está com um pé fora do partido

…entendedor… “Não dá para dar cheque em branco ao governo. É uma questão política”, disse Lupi, que se diz otimista de que a PEC dos Precatórios não será como uma nova “reforma da Previdência” no partido.

SINAIS PARTICULARES. Ciro Gomes, presidenciável do PDT. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

PRONTO, FALEI!

Txau Suruí, ativista do povo Paiter Suruí

“Qualquer pessoa alfabetizada viu que não critiquei o Brasil, mas não podemos fechar os olhos para a realidade”, após Bolsonaro criticar seu discurso na COP-26.

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