PF prende ex-ministro Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha

PF prende ex-ministro Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha

Mesmo fora do ministério, Henrique Alves continuou sendo um dos principais interlocutores do presidente Michel Temer

Andreza Matais

06 de junho de 2017 | 06h48

PF chega no endereço de Henrique Eduardo Alves

A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira o ex-ministro e ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Na mesma operação, batizada de Manus, a PF prendeu novamente o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que já está recolhido no Complexo Médico Penal, no Paraná, por outras acusações.

Alves e Cunha são acusados de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro envolvendo a construção da Arena das Dunas, em Natal/RN. O sobrepreço identificado chega a R$ 77 milhões.

Henrique Alves foi ministro do Turismo do governo Temer, de quem é amigo pessoal e um de seus principais interlocutores. Ele deixou o cargo ao ser envolvido na Operação Lava Jato pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que o acusou em delação premiada de receber propina. Na ocasião, Temer divulgou uma carta na qual chama Alves de “amigo” e elogia a parceria de “décadas” entre os dois.

O mandado de hoje contra Alves é de prisão preventiva, quando não há prazo para que seja liberado. Com relação a Cunha, a nova operação complica ainda mais a situação dele, que já responde a várias processos.

A PF divulgou as seguintes informações sobre a ação de hoje:

Cerca de 80 Policiais Federais cumprem 33 mandados judiciais, sendo cinco mandados de Prisão Preventiva, seis mandados de condução coercitiva e 22 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Norte e Paraná.

A investigação realizada se iniciou após a análise das provas coletadas em várias das etapas da “Operação Lava Jato” que apontavam solicitação e o efetivo recebimento de vantagens indevidas por dois ex-parlamentares cujas atuações políticas favoreceriam duas grandes construtoras envolvidas na construção do estádio.

A partir das delações premiadas em inquéritos que tramitam no STF, e por meio de afastamento de sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos, foram identificados diversos valores recebidos como doação eleitoral oficial, entre os anos de 2012 e 2014, que na verdade consistiram em pagamento de propina. Identificou-se também que os valores supostamente doados para a campanha eleitoral em 2014 de um dos investigados foram desviados em benefício pessoal.

Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

Sobre o nome da operação, é referência ao provérbio latino “Manus Manum Fricat, Et Manus Manus Lavat”, cujo significado é: uma mão esfrega a outra; uma mão lava a outra.

 

 

 

 

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