PF pede quebra de sigilos de presidente do TCU e ministro da Corte de Contas

Coluna do Estadão

15 de novembro de 2016 | 20h38

 

F61U3623.jpg BSB DF 15 06 2016 NACIONAL TCU/DILMA ROUSSEFF O presidente do TCU, Aroldo Cedraz das contas de 2015 do governo Dilma Rousseff, durante sessao no plenario do TCU. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

 

A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra dos sigilos bancário e fiscal do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, e do ministro da Corte de Contas Raimundo Carreiro. A informação foi antecipada pelo portal da revista Época e confirmada pela Coluna do Estadão. A quebra de sigilo foi solicitada dentro da investigação sobre suposto tráfico de influência praticado pelo filho de Aroldo Cedraz, o advogado Tiago Cedraz, dentro do TCU.

Tiago Cedraz foi citado na delação de Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. Segundo ele, o filho do presidente do TCU recebia dinheiro mensalmente para repassar informações de interesse da empreiteira na Corte de Contas e chegou a receber R$ 1 milhão por um processo que discutia obras da usina de Angra 3. O dinheiro teria Carreiro como possível destinatário.

Carreiro e Tiago Cedraz já são investigados pelo STF, desde as revelações de Pessoa.

A PF identificou em quebra de sigilo telefônico diversas ligações do escritório de Tiago Cedraz para funcionário do gabinete de Raimundo Carreiro, quem foi responsável pelo processo relacionado a Angra 3. Também foram identificadas ligações do escritório do advogado para o gabinete de seu pai, Aroldo Cedraz, e para números da UTC – inclusive telefonemas em datas citadas por Ricardo Pessoa.

OUTRO LADO

A defesa de Tiago Cedraz informa que: já colocou à disposição das autoridades seus sigilos desde o início das investigações. O advogado é o maior interessado no rápido avanço das investigações, pois nada tem a temer. Os advogados que cuidam dos processos do TCU no Escritório ligam quase que diariamente para todos os gabinetes, a fim de agendar despachos, obter cópias ou para sanar qualquer dúvida a respeito dos andamentos disponíveis na internet.

Por regra do Tribunal os chefes de gabinete detém a prerrogativa de tratar com os advogados dos processos. Daí a razão para as ligações serem destinadas quase sempre à chefia de gabinete dos ministros.

O ministro Aroldo Cedraz informou, segundo a assessoria do TCU, que não é investigado. Carreiro disse que está colaborando com os investigadores.

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