PF monitora reação do crime na pandemia

PF monitora reação do crime na pandemia

Coluna do Estadão

07 de abril de 2020 | 05h00

Foto: Polícia Federal/Divulgação

Enquanto no entorno de Jair Bolsonaro há a preocupação com o aumento de saques a supermercados, a Polícia Federal monitora a reação do crime organizado às novas regras sociais impostas pelo combate ao coronavírus, com atenção voltada para as fronteiras. Especialistas em segurança pública apontam como primeira consequência a descapitalização do tráfico de drogas, que pode levar à migração dos traficantes para outros crimes, com impacto nas cidades: explosão de caixas eletrônicos, roubo a carros-fortes e a lojas de artigos de luxo fechadas.

Calma, gente. No Ministério da Justiça, com o maior policiamento nas divisas, aumentou o número de apreensões. Para Eduardo Bettini, coordenador-geral de fronteiras, “essa migração pode ocorrer, mas não é tão simples assim”.

Fake. O mais recente relatório da iniciativa da ONU contra o crime organizado alerta que golpes online, fraudes e fake news vão crescer mais ainda com a população confinada e online a maior parte do tempo.

Abordagem. Em São Paulo, a PM mudou a estratégia: tem patrulhado mais áreas residenciais, cercanias de hospitais, farmácias e supermercados. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado, “sem prejuízo das atividades policiais rotineiras e do atendimento às emergências”.

Stand by. A Polícia Federal vem tentando poupar ao máximo seus agentes. A estratégia é mantê-los saudáveis para, quando houver necessidade, ter efetivo suficiente, capaz de atuar emergencialmente com outras polícias em casos graves pelo País. Quem pode está isolado fazendo teletrabalho.

CLICK. O prefeito de SP, Bruno Covas, mostrou todas as manifestações de proteção que recebeu: “Que a fé e a energia de cada um estejam a serviço de todos nós”.

Reprodução/ Instagram

Vai piorar. A Confederação Nacional da Indústria vai revisar a estimativa de queda das exportações brasileiras. A CNI havia projetado impacto de US$ 18,6 bilhões, considerando retração de 1,1% no PIB mundial. Agências de risco já estimam índice maior.

Efeito cascata. Para a CNI, a grande preocupação é o impacto que a queda das exportações terá nos empregos da indústria. Cada R$ 1 bilhão exportado sustenta 30 mil empregos na cadeia de produção industrial no País.

Por conta. O Consórcio de Governadores do Nordeste decidiu, em teleconferência, comprar 300 respiradores para a região. Teme a concentração de recursos federais nas áreas mais afetadas até agora, no Sudeste.

Ah não… Governadores estão preocupados, aliás, com o embate entre o governo federal e a China, atiçado por um tuíte do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Acham que pode atrapalhar negociações com os asiáticos.

Alternativa. Frente aos governadores que querem deixar de pagar seus precatórios por causa da Covid-19, a OAB vai pedir ao ministro do STF Luiz Fux para fazer uma mesa de negociação. A entidade quer uma alternativa que ajude os Executivos locais mas que evite o calote nos credores, em sua maioria idosos.

Ganha-ganha. A OAB já levou a Paulo Guedes, aos governadores e prefeitos algumas alternativas. Uma delas é pagar os precatórios à vista com dinheiro de empréstimo bancário. Isso diminui a conta em 40% e prolonga em mais de 20 anos o prazo de pagamento, além de não manter o aumento vertiginoso das dívidas públicas e de injetar dinheiro na economia neste ano de crise.

Será? Cresce a percepção na Câmara de que Osmar Terra (MDB-RS) é forte candidato a liderar o Aliança pelo Brasil. “O MDB precisa sair do muro, ter projeto político, mas não vou a lugar nenhum”, disse ele à Coluna.

Sozinho? No Congresso, Osmar Terra não tem encontrado muito respaldo à pregação contras as medidas de isolamento.

SINAIS PARTICULARES.
Osmar Terra, deputado federal (MDB-RS)

Ilustração: Kleber Sales

Vapt. O Sindicato dos Advogados e o grupo Prerrogativas foram rápidos ao condenar a medida de João Doria que permitia o funcionamento presencial de escritórios de advocacia na pandemia. O governo recuou.

BOMBOU NAS REDES! 

Deputado Pedro Paulo. FOTO: AGÊNCIA CÂMARA

Pedro Paulo, deputado federal (DEM-RJ): “Em meio a uma crise sem precedentes na história mundial, demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que é o principal líder nesse batalha contra a pandemia do Coronavírus, é um erro que vai causar consequências gravíssimas e poderá provocar a morte de milhares de brasileiros.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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