PF deflagra nova fase da Operação Acrônimo e mira em chefe da Casa Civil de Pimentel

Coluna do Estadão

23 de setembro de 2016 | 07h47

Foto: Divulgação PF

Foto: Divulgação PF

 

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 23, mais uma fase da Operação Acrônimo, que investiga suposto esquema de corrupção envolvendo verbas do BNDES na gestão do governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), quando comandava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Entre os alvos, estão o chefe da Casa Civil de Minas Gerais, Marco Antônio Rezende, e o atual presidente da Companhia de Tecnologia da Informação de Minas (Prodemge), Paulo Moura, e outras pessoas ligadas às empresas MOP e OPR. Essa fase também investiga outro esquema paralelo, supostamente envolvendo o governador de Minas com a empresa OAS, alvo de buscas.

Não há prisões, mas apenas mandados de condução coercitiva e busca a apreensão sendo cumpridos. As ordens foram dadas pelo ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decretou sigilo sobre a operação.

A MOP Consultoria e Assessoria foi aberta em novembro de 2012 por Rezende e Moura. Eles integravam o primeiro escalão da prefeitura de Belo Horizonte na gestão Pimentel (2001-2008) e ficaram nos cargos até 2012, já na administração Marcio Lacerda (PSB). Em 2015, assumiram cargos no governo mineiro. Os dois são alvo dos mandados de busca e condução coercitiva. Os policiais também estão na empresa responsável pela contabilidade da MOP.

Como revelou o Estado, investigadores da Operação Acrônimo suspeitam que o governador seja o dono da consultoria e beneficiário de recursos recebidos por ela. Em 25 de junho do ano passado, numa das fases da Acrônimo, a PF recolheu notas fiscais dos pagamentos à MOP e a outras empresas atribuídas pelos investigadores ao governador. Os documentos estavam numa sala alugada por Pimentel para ser seu escritório político em BH.
No local da apreensão funcionavam outras empresas supostamente de propriedade de Pimentel, como a OPR Consultoria Imobiliária, em nome Otílio Prado, um dos principais assessores do petista.

A MOP é investigada por ligações com o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT). Ela recebeu R$ 635 mil do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra). A entidade representa as viações de ônibus da capital mineira, contratadas na gestão do petista, em 2008, para operar as linhas da cidade por 20 anos, com faturamento previsto de R$ 10 bilhões. Marco Antônio coordenava a licitação. A empresa dele teve ainda mais sete clientes e faturou R$ 1,9 milhão em 21 meses.

A consultoria teve vida curta. Em dezembro de 2014, logo após Pimentel vencer as eleições para o Governo de Minas, os dois sócios a fecharam. Ambos trabalharam na campanha e, em seguida, na equipe que cuidou da transição do governo. Rezende era coordenador financeiro e jurídico do comitê.

OUTRO LADO:

A defesa de Rezende e Moura informou que:

O secretário da Casa Civil, Marco Antônio Rezende, e o presidente da Prodemge, Paulo Moura, se apresentarão à Polícia Federal em data e hora a serem marcadas pela delegada que conduz o inquérito. Desde o dia 15 de setembro, Marco Antonio está em férias nos Estados Unidos, de onde retornaria no fim do mês. Paulo Moura viajou com a família para o Rio de Janeiro, mas antecipará a volta para Belo Horizonte a fim de prestar os esclarecimentos necessários às autoridades. As atividades privadas dos meus clientes, por meio de uma consultoria, quando não ocupavam qualquer cargo público, foram regulares e cumpriram todas as exigências legais: os serviços contratados foram prestados, as notas fiscais, emitidas, e os respectivos impostos, pagos.

 

(Andreza Matais e Fábio Fabrini)

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