PF deflagra 7a fase da Operação Acrônimo e mira sobrinho de Pimentel

Assessoria de Pimentel diz que ele não "teve nada com o negócio" e não interferiu no aporte de recursos para a hamburgueria

Coluna do Estadão

13 Setembro 2016 | 07h31

fernando pimentel

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a 7a fase da Operação Acrônimo. O alvo principal é um sobrinho do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Felipe Torres Amaral é sócio de Pimentel numa rede do restaurante Madero, especializada em hambúrgueres gourmet, em um shopping na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo.  Ele foi alvo  de condução coercitiva e houve busca e apreensão em seus endereços.

A operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao todo foram dois mandados de condução coercitiva no DF, PR e SP. O segundo foi contra o empresário Sebastião Dutra, da empresa Color Print. Ele teria omitido notas fiscais falsas para uma empresa que fez obras no restaurante e para a campanha de Pimentel.

A Acrônimo investiga esquema de corrupção envolvendo a liberação de empréstimos do BNDES e outros atos em troca de pagamento de propina para Fernando Pimentel. Na época dos supostos fatos ele era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no governo Dilma Rousseff, com ingerência no banco. O petista não é alvo da ação de hoje.

Em junho, a revista Época revelou que o aporte no restaurante veio de uma propina de R$ 20 milhões paga pela montadora Caoa em troca de isenção fiscal dada por Pimentel enquanto ministro. A informação foi dada pelo empresário Benedito de Oliveira Neto, o Bené, operador de Pimentel, em depoimento de delação premiada, que apontou Amaral como sobrinho do governador. O dinheiro foi repassado para a Color Print por meio de contrato fictício. Essa gráfica atendia a campanha do petista.

Pimentel já foi denunciado pela Procuradoria da República por corrupção passiva e lavagem e ocultação de bens e valores por ter supostamente solicitado e recebido vantagens indevidas, no final de 2013, para gerar benefício tributário à empresa CAOA. O STJ discute se é necessário autorização da Assembleia de Minas Gerais para processar o governador.

OUTRO LADO.

A assessoria de Pimentel informa que Felipe Torres é filho da prima de sua ex-mulher e que ele já vendeu a franquia do Madero para os antigos sócios. Também diz que “Pimentel nunca teve nada com o negócio e não interferiu para aporte no negócio”.

Em nota, a Caoa diz que “repele com veemência qualquer irregularidade” ou pagamento em troca de benefícios “junto a qualquer agente ou órgão público”. O criminalista Eugênio Pacelli, que defende Pimentel, afirma que “delação não é elemento de prova”. A Coluna não localiou as defesas de Felipe e do empresário Sebastião Dutra.

O restaurante Madero também divulgou nota na qual comunica que “entregou à Polícia Federal os contratos firmados com a F2B Alimentação Ltda, em respeito ao cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão nº 000062/2016, expedido em 1º de agosto de 2016 pelo Ilmo. Sr. Ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça, relator do Inquérito nº 1105”.

E complementa: “O Madero S/A esclarece, mais uma vez, que o Sr Felipe Torres Amaral foi franqueado do Madero na cidade de Piracicaba-SP até outubro de 2015, quando a franqueadora recomprou a franquia e encerrou o relacionamento comercial com o Sr. Felipe Torres do Amaral…O Madero S/A manifesta, mais uma vez, seu integral apoio ao trabalho da Justiça brasileira no combate à corrupção no Brasil”.

A defesa de Felipe Torres divulgou a seguinte nota: “Diferentemente do divulgado pela imprensa, o Sr. Felipe Torres não é sobrinho e não possui relação de parentesco com o Governador Fernando Pimentel, com quem jamais manteve qualquer tipo de sociedade; também não é proprietário de nenhum restaurante – foi até outubro de 2015 proprietário de uma franquia da rede Madero.

O Sr. Felipe Torres não foi conduzido coercitivamente, mas prestará declarações hoje, espontaneamente, em local e horário previamente agendados com a Delegada responsável pelo caso. Ressalte-se que desde que tomou ciência, pela imprensa, da existência das referidas investigações, Felipe colocou-se à disposição da Polícia Federal para prestar todos os esclarecimentos em mais de uma oportunidade.

O Sr. Felipe Torres nunca recebeu valores indevidos provenientes de terceiros, sendo absolutamente inverídicas as acusações. Todos os recursos financeiros utilizados para a abertura do restaurante que manteve foram provenientes de sua larga e bem-sucedida atuação profissional como executivo de grandes empresas.

O Sr. Felipe Torres apoia todas as investigações realizadas; no entanto, as acusações do delator são falsas e induziram a Polícia Federal ao erro – o que ficará provado no decorrer do inquérito.” (Andreza Matais)