PF deflagra 6ª fase da Operação Acrônimo que mira pagamento para campanha de governador de MG

Pedido de dinheiro foi intermediado pelo empresário Bené e chegou via pagamento ao instituto Vox Populi

Andreza Matais e Fábio Fabrini

16 de agosto de 2016 | 08h00

Atualizadas às 09h44

Fernando Pimentel. Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO.

Fernando Pimentel. Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO.

 

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a 6ª fase da Operação Acrônimo, que investiga esquema de tráfico de influência para liberação de empréstimos do BNDES. As ações foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Coluna apurou que estão sendo cumpridos mandados em Minas Gerais e São Paulo de busca e apreensão e condução coercitiva. O foco é uma obra de construção do aeroporto de Catarina, em São Roque, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), que foi financiada com recursos do BNDES.

Os recursos foram liberados mediante pagamento de contribuição de campanha pela empreiteira JHFS para Fernando Pimentel (PT), governador de Minas Gerais. A operação financeira foi intermediada pelo empresário Benedito Oliveira Neto, o Bené, apontado como operador do governador petista. Bené fez acordo de delação premiada. Houve busca e apreensão de documentos no escritório da Vox Populi em BH. Conforme as investigações, a ajuda financeira foi via pagamento ao instituto de pesquisa eleitoral.

Também está entre os alvos Eduardo Serrano, atual secretário-geral da governadoria. Ele foi citado na delação do Bené como um dos intermediários de propina supostamente paga pela Odebrecht a Pimentel. Conhecido como He-Man, ele está prestando depoimento depoimento na superintendência da PF em Minas Gerais.

Na época dos fatos, o governador de Minas era Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do governo Dilma e presidente do conselho de administração do BNDES.

OUTRO LADO

A Coluna procurou a assessoria do governo de Minas que ainda não se manifestou.

Em nota, o Vox Populi confirmou a ação no endereço da empresa. “A empresa disponibilizou a documentação solicitada e continua pronta a atender quaisquer outras solicitações das autoridades”, disse, por meio de nota.

A JHFS diz que “não está envolvida em qualquer ilícito e sempre obedeceu a legislação vigente”.

O BNDES informou que Pimentel foi presidente de seu Conselho de Administração, mas que o colegiado não “participa das operações do banco”. Em nota, sustentou que os financiamentos “seguem todos os critérios impessoais de análise comuns ao banco, com participação de dezenas de técnicos concursados e órgãos colegiados, além da exigência de garantias sólidas”.

 

O advogado de Pimentel, Eugênio Pacceli, informou que “não houve medida alguma contra o governador. Até onde sabemos a busca envolveria uma empresa de propaganda.”

Para complementar: “Na opinião da defesa, trata-se de factoide criado para influenciar o julgamento do recurso de Pimentel no STJ, em que as especulações são no sentido de sua vitória. Ao que parece, o espetáculo tem exatamente esse objetivo: atingir negativamente os julgadores no Tribunal. Ou alguém acredita mesmo em buscas e apreensões feitas dois anos depois de publicizada a operação e suas “fases”?”

 

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