Pazuello cai em descrédito por recuos na vacinação

Pazuello cai em descrédito por recuos na vacinação

Coluna do Estadão

12 de março de 2021 | 05h00

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Os cronogramas (no plural, porque foram muitos) de vacinação contra a covid-19 apresentados pelo Ministério da Saúde não geram mais confiança nos municípios, nos Estados nem no Congresso. No mais recente, a pasta disse que, embora em “constante evolução e atualização”, o prazo e número de doses estão mantidos. O governador Rui Costa (PT-BA) afirma: “Já mudou tantas vezes que, confesso, parei de acompanhar”. “Não está dando para acreditar no que o ministério diz, está muito difícil”, diz o senador Izalci Lucas (PSDB-DF).

Temperatura. Segundo Izalci, “a pressão pela instalação da CPI da Covid está crescendo ainda mais”.

Enrolado. “Estamos tentando achar caminhos. Todo dia surge um problema com a vacinação. Não tem metas que sejam confiáveis, muda todo dia o cronograma”, disse o governador Flávio Dino (PCdoB-MA).

Quantidade. Em documento entregue aos parlamentares, o Ministério da Saúde informa que serão entregues 38 milhões de doses de vacinas em março.

Agora vai? Um caminho o Consórcio do Nordeste já traçou: comprar doses da Sputnik V, caso o ministério não assine logo o contrato. Costa diz já ter acordo para 6 milhões de doses prontinho para ser assinado e o pedido feito na Anvisa.

Lupa. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) mobilizou o seu gabinete para esmiuçar a resposta do Ministério da Saúde ao Congresso sobre o cronograma de vacinação. “Diz que está mantido, mas ele mesmo se contradiz. Se o Butantan já disse que não vai cumprir, Fiocruz também, como ele diz que é possível?”

Fica a dica. No dia em que Jair Bolsonaro voltou a pregar o desrespeito às medidas de restrição de circulação adotadas por Estados e municípios à beira do colapso, vale a pena anotar o que disse à Coluna o prefeito de Araraquara (SP).

Desabafo. “Nunca imaginei que viveria o que estou vivendo como prefeito. Fazer lockdown foi a última saída. Nenhum governante quer ter uma iniciativa como essa. Mas, se você não tem vacina, você só salva vidas com isolamento social”, diz Edinho Silva (PT).

Terra chamando. A fama de Eduardo Pazuello entre gestores de Saúde é de quem está tentando vender terrenos na Lua.

SINAIS PARTICULARES.
Eduardo Pazuello, ministro da Saúde

Ilustração: Kleber Sales

Pedido… O secretário da Saúde de Pernambuco, André Longo, diz que haverá “aumento expressivo de mortalidade”. “É por isso que a gente renova o apelo para a população fazer o que é certo: ficar em casa o máximo possível. Se for sair, usar a máscara, usar a máscara, usar a máscara, pessoal!”.

…de socorro. Em tom de desabafo, continuou: “Não é possível, é simples! A gente vê gente com instrução sem usar a máscara. Hoje estamos todos pagando o preço novamente um ano depois. Vamos atentar para a necessidade de ter educação mínima sanitária, usar a máscara! É pouco o que a gente está pedindo.”

CLICK. O ministro Luiz Eduardo Ramos (ao centro) “acampou” nos últimos dias no plenário da Câmara para acompanhar de perto a votação da PEC Emergencial.

Reprodução/Twitter

Onde… Passado o momento de euforia pela vitória jurídica de Lula com a decisão de Edson Fachin, a preocupação dos advogados simpáticos à causa do petista passa a ser o pedido de vista de Nunes Marques no julgamento da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro.

…mora… Artigo do regimento do STF, de 2020, diz: “O ministro que pedir vista dos autos deverá apresentá-los, para prosseguimento da votação, no prazo de trinta dias, contado da data da publicação da ata”.

…o perigo? No melhor dos mundos para Lula, a Segunda Turma decide logo pela parcialidade de Moro, com voto favorável de Cármen Lúcia, e os processos contra o ex-presidente praticamente deixam de existir.

Aqui. O problema é que, na vida real, para além dos regimentos, um ministro experiente diz sobre o prazo: ninguém respeita.

PRONTO, FALEI! 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens/Divulgação

Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da USP: “Jair Bolsonaro precisa ir embora antes de 2022”, sobre as constantes reduções de doses nos cronogramas de vacinação apresentados pelo governo federal.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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