Parlamentares torcem por Bolsonaro popular

Parlamentares torcem por Bolsonaro popular

Coluna do Estadão

08 de outubro de 2020 | 05h00

Foto: Alan Santos/PR

O bom momento de Jair Bolsonaro nas mais recentes pesquisas de avaliação não entusiasma só o fã-clube mais fiel ao presidente e o Palácio do Planalto. Expoentes do grupo chamado pelos radicais bolsonaristas jocosamente de “velha política” também torcem pela manutenção do viés de alta de Bolsonaro. O motivo? A popularidade “blinda” o presidente para, na prática, continuar pisando no pescoço da Lava Jato e, principalmente, dos lavajatistas, enquanto, na retórica, tenta ludibriar brasileiros afirmando ter acabado com a corrupção.

Juntos. Ao se aliarem a Bolsonaro, esses parlamentares podem também controlar a pauta legislativa. A aprovação das matérias dependerá deles e, consequentemente, parte da popularidade do presidente.

Piadistas. A afirmação de Bolsonaro de que acabou com a Lava Jato porque não há mais corrupção lembrou os piores momentos de Lula se comparando em honestidade a Jesus Cristo.

Voto… A decisão de Luiz Fux de tirar processos da Lava Jato da Segunda Turma e levá-los ao plenário do STF surpreendeu positivamente grupos importantes da advocacia, que sempre combateram a “Justiça lotérica” e a imprevisibilidade jurídica das turmas.

…de esperança. “Cabe lembrar que foi no plenário que a advocacia obteve grandes conquistas recentes, como a presunção de inocência e a proibição das conduções coercitivas”, diz Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas.

Calote legal. A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acompanhou o relator Luis Felipe Salomão e decidiu que o fundo partidário é impenhorável. Em termos práticos, mais um passo para tornar os partidos brasileiros inimputáveis: basta contratar e não pagar. Indiretamente, possibilita o financiamento empresarial escondido.

Olé. Nas conversas com parlamentares, Paulo Guedes ouviu um conselho: precisa aprender a “tourear” melhor Bolsonaro. Se quiser avançar com suas propostas, além da já propalada resiliência e fidelidade, o ministro terá de atrair habilidosamente o presidente de volta para a sua agenda.

SINAIS PARTICULARES.
Paulo Guedes, ministro da Economia

Ilustração: Kleber Sales

Sem apoio. A Associação Brasileira das Agências de Regulação publicará carta contrária à reforma administrativa de João Doria. No documento, a entidade dirá que a proposta pode colocar sob risco “a maturidade regulatória alcançada nos últimos 20 anos”, que contribuiu para o avanço dos setores da infraestrutura de base no Brasil.

Timing. Para a associação, a reforma estadual pode prejudicar as agências reguladoras ao afastar investidores no momento em que a iniciativa privada dos setores de saneamento e gás se preparam para aportar no País por causa da modernização recente na legislação desses setores.

CLICK. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) esteve no Palácio dos Bandeirantes com João Doria. O senador é entusiasta do desenvolvimento da vacina contra a covid-19 em São Paulo.

Coluna do Estadão

Boquinha. O governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) decidiu imitar Jair Bolsonaro e criou uma Secretaria Extraordinária da Família. Para “rechear” o órgão, foi necessário abrir 60 cargos.

Boquinha 2. O posto de secretário é ocupado pelo pastor Iliobaldo Vivas (Republicanos), da Universal, ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro que estava sem mandato. Ibaneis tem usado ativamente a caneta para afugentar a CPI (distrital) da Pandemia.

BOMBOU NAS REDES!

Roberto Freire. FOTO: JF DIORIO/ESTADÃO

Roberto Freire, ex-deputado e presidente nacional do Cidadania:Bolsonaro desmanchou o COAF; colocou o amigo do amigo dos filhos no comando da PF; pôs na PGR um inimigo da Lava Jato; forçou a demissão de Moro; mudou a Receita pra blindar o enriquecimento familiar; indicou pro STF um aliado do Centrão. O que acabou foi combate à corrupção.”

COM ALBERTO BOMBIG E MARIANA HAUBERT.

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