Para Weintraub, missão dada é missão cumprida

Para Weintraub, missão dada é missão cumprida

Coluna do Estadão

16 de maio de 2019 | 05h00

Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Enquanto Abraham Weintraub se preparava para a audiência na Câmara, Jair Bolsonaro, dos EUA, deu o tom do que esperava dele: enfrentamento firme. A declaração do presidente chamando os estudantes de “idiotas úteis” foi a senha de que a missão conferida a Weintraub ainda inclui combater o “aparelhamento das universidades pela esquerda”. Respaldado pelo chefe após o episódio do telefonema, o ministro da Educação apresentou o cartão de visitas na Casa: “Fui bancário. Carteira assinada. Azulzinha, não sei se vocês conhecem”

A ver. Para o governo, a presença de sindicatos (com ataques à reforma da Previdência) e do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) nos protestos é a “prova” da circunscrição das manifestações ao grupo de eleitores derrotado nas urnas.

Copo… No núcleo ideológico, a avaliação é de que as manifestações foram “pífias” perto do que se anunciou. A preocupação é uma eventual contaminação da opinião pública sobre a reforma da Previdência.

…meio cheio. A oposição viu a mobilização como “sucesso” e o começo de uma onda que vai crescer para além dos tradicionais grupos antibolsonaristas.

Pires… Parlamentares acham que o contingenciamento tem como horizonte dobrar as universidades, impressão reforçada por declarações de Weintraub.

…na mão. “Venham (reitores), mostrem os números, a gente vai chegar a um acordo”, disse Weintraub. O ministro poderá impor condições para os recursos voltarem a ser distribuídos.

Tá pra nós. Parte do Congresso também vê uma janela de oportunidade no contingenciamento: pode ser a chave para melhorar a imagem do Legislativo.

Tá pra nós 2. O Parlamento não tem instrumentos para reverter o arrocho, mas deve usar todas as formas para aproveitar as ruas e pressionar o governo.

Esforço. Paulo Guedes criou um grupo de trabalho para acelerar a tramitação do pacto federativo, quando ele chegar ao Congresso. Além de parlamentares, terá integrantes da Confederação dos Municípios.

SINAIS PARTICULARES
GOVERNADORES
Renato Casagrande (PSB-ES)

Ilustração: Kleber Sales

O conciliador. Enquanto o clima pegava fogo na Câmara dos Deputados, nos Estados Unidos, Rodrigo Maia fez um gesto público de afago ao presidente do Supremo, Dias Toffoli. Dizer que ele tem sido “fundamental” na relação entre Executivo e Legislativo.

O conciliador 2. “O governo (Bolsonaro) veio representando mudanças, e mudanças geram atrito. Toffoli tem sido o nosso ponto de equilíbrio”, afirmou o presidente da Câmara, em evento em Harvard. Ambos têm mantido contato e sido alvo nas redes sociais.

CLICK. Em viagem a Nova York, Alexandre Baldy aproveitou para comer um hot-dog. O secretário de João Doria diz sempre apreciar o sanduíche também em SP.

Alexandre Baldy. Foto: Divulgação.

Apoio. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em reunião com a nova direção da Associação Nacional de Procuradores da República, se comprometeu a defender a lista tríplice na sucessão de Raquel Dodge na PGR.

No papel. No mesmo encontro, ficou acertado que Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentará um projeto de resolução para obrigar que o Executivo siga a lista tríplice. A ideia parte do pressuposto de que, como o Senado avaliza a indicação, também pode estabelecer as regras de escolha.

PRONTO, FALEI!

Foto: Reprodução/Youtube

Carla Zambelli, deputada federal (PSL-SP): “Onyx não foi eleito para o cargo. Se ele não conseguiu converter nem os votos do partido dele, não é um bom ministro”, sobre votação da MP da Esplanada.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Tendências: