Para Temer, País tem de evitar impeachment

Para Temer, País tem de evitar impeachment

Coluna do Estadão

29 de março de 2020 | 05h00

Depois do pronunciamento de Jair Bolsonaro na quarta-feira, Michel Temer subiu aos “trending topics” do Twitter: expressões na linha “eu era feliz e não sabia” surgiram em vários perfis porque o contraste entre o atual presidente, intempestivo e briguento, e o antecessor, ponderado e conciliador, saltou aos olhos. À Coluna, Temer afirmou ter achado Bolsonaro “tenso”, “tomado por certa angústia”, elogiou as medidas da Economia e disse que, se o País puder evitar um novo impeachment, melhor. “Sempre uma coisa extremamente traumática.”

Passado. “Eu vivi esse momento do impeachment da senhora ex-presidente (Dilma Rousseff, PT) e sei do trauma que isso cria”, disse Temer (MDB), que era vice e assumiu a Presidência após afastamento, em 2016. “Melhor deixar que o povo decida”, afirma. Confira a entrevista completa aqui.

Calma. Temer diz que a classe política precisa de “serenidade” no enfrentamento da crise. “Compreendo que esses primeiros momentos geraram uma angústia muito grande”, avalia.

Calma 2. O ex-presidente comentou a altercação entre Bolsonaro e João Doria: “O que eu aprendi ao longo do tempo foi exatamente isso, nos momentos mais difíceis é que você precisa usar mais o critério da serenidade e da tranquilidade”.

União. Se Temer pudesse dar um conselho a Bolsonaro, seria: melhorar relações com parlamentares. “Dificuldade com o Congresso cria dificuldade para o governo”. Para ele, quem comanda o País são o Executivo e o Legislativo, juntos.

Economia de guerra. O ex-presidente gostou das medidas econômicas anunciadas pelo governo. “E se precisar de mais, acho que tem que usar mais.”

SINAIS PARTICULARES.
Michel Temer, ex-presidente da República

Kleber Sales

Auxílio. O Congresso teve ajudinha externa no texto da PEC do Orçamento de Guerra, cujo conteúdo a Coluna antecipou: Bruno Dantas, ministro do TCU.

Desconto. O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), apresentou proposta para que as mensalidades das instituições de ensino fundamental e médio tenham uma redução de 30% enquanto estiverem fechadas por causa da pandemia da covid-19.

Torniquete. O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, diz que o partido apoia a linha “indenizatória” das medidas econômicas anunciadas por Paulo Guedes. Segundo ele, o setor privado “não pode sangrar sozinho neste momento de grave crise do País”.

Torniquete 2. Segundo Ribeiro, o Novo defende a extinção dos fundos partidário e eleitoral e já se preocupa com o pós-crise: “Entendemos que não deve ser retomada uma tendência desenvolvimentista, com coisas provisórias se tornando permanentes depois”.

CLICK. Alexis Fonteyne (Novo-SP) doou parte de seu salário e adaptou sua fábrica para produzir álcool para hospitais de SP. Contou também com uma doação da Unica.

Coluna do Estadão

Vida real. “Realmente a criança está pulando em cima do esgoto, mas, se não pegar o coronavírus, vai morrer de uma outra infecção qualquer. Isso não é brincadeira”, disse Tasso Jereissati. Em de seus arroubos, Bolsonaro afirmou que o brasileiro pula no esgoto e não acontece nada.

Adiante. O senador tucano (CE) é relator da MP do saneamento básico na Casa. Ele pede que seus colegas entrem em consenso para votar logo na próxima semana o texto e, nos pontos em que não houver consenso, que o governo vete.

PRONTO, FALEI!

Flávio Dino. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Flávio Dino, governador (MA): “ Decisão judicial se baseia em atos internacionais, federais e estaduais que reconhecem a calamidade pública e a emergência sanitária. Na minha avaliação, ela evita o abuso de uma facção extremista que quer colocar a vida de todos em risco”, sobre Justiça proibir caravanas bolsonaristas contra o isolamento.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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