Para secretário, ‘o pior é ficar sem esperança’

Para secretário, ‘o pior é ficar sem esperança’

Coluna do Estadão

06 de março de 2021 | 05h00

Foto: Ascom Conass

Do presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, sobre o atual estágio da pandemia no País: “No começo, a gente achava que ia vencer rápido. Agora, a gente não consegue ter perspectiva de quando a situação vai melhorar. Isso é o pior, ficar sem esperança. Muito ruim”. Reuniões de equipes de saúde, segundo ele, são até acompanhadas de choro. A previsão é de elevação da média de mortes. Por isso, governadores decidiram avançar nas negociações diretas com laboratórios para a compra de vacinas.

Sinal… Governadores dos nove Estados da Amazônia reclamam da lentidão do Ministério da Saúde na aquisição dos imunizantes e relatam o colapso iminente em seus sistemas de saúde, além da preocupação de que novas variantes do novo coronavírus sejam ainda mais contagiosas.

…vermelho. Apresentaram cartas de intenção de compra das vacinas AstraZeneca e da Sputnik V e pediram ajuda diretamente ao embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Todd Chapman, para negociar com empresas americanas.

Chega. “Não dá mais para ficarmos dessa forma, o nível de estresse da população está muito alto”, disse Gladson Cameli (PP), governador do Acre. Ele está com covid-19 e relata estar assustado com a doença. “É traiçoeira, você não sabe o que pode acontecer. O psicológico fica realmente abalado”, disse.

Escolha. Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão e presidente do consórcio dos Estados Amazônicos, reclamou da exclusividade exigida pelo Ministério da Saúde à Pfizer, conforme adiantou a Coluna.

Na moita. “Eles não fazem e não deixam os outros fazer. Se não querem a Pfizer, por exemplo, liberem aos Estados que queiram comprar”, disse Dino.

Cansaço. “As equipes estão no limite. A gente está nessa há um ano e a doença tem evoluído. Dá um baque. E está tendo muito óbito de gente jovem”, disse Lula, que também é secretário estadual do Maranhão.

Tomara. Apesar da situação dramática, o secretário de Saúde da capital paulista, Edson Aparecido, fecha a semana com esperança: enquanto negocia vacinas com a Janssen, viu a taxa de ocupação de UTI baixar de 77% para 73% na cidade.

SINAIS PARTICULARES.
Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde de SP

Ilustração: Kleber Sales

Como… O Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Cultura repudiou portaria que suspendeu a análise de projetos da Lei Rouanet cujos pedidos sejam de Estados e municípios com restrições por causa da covid-19.

…assim? Para o grupo, a decisão penaliza mais uma vez o segmento cultural do País, já bastante atingido pela crise da covid-19.

Efeitos. Alegam que as análises de projetos não representam ameaça às medidas de isolamento, mas a suspensão poderá afetar a retomada do setor quando a pandemia estiver sob controle e as atividades presenciais forem permitidas.

Assim não dá. Reservadamente, dois secretários disseram à Coluna que a portaria é uma chantagem e mostra até onde o governo está disposto a ir contra as medidas restritivas. Os deputados Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e José Guimarães (PT-CE) apresentaram projetos para cancelar a portaria.

CLICK. Na inauguração parcial, com Bolsonaro, em dezembro do ano passado, o governo informou que a ponte sobre o Guaíba, em Porto Alegre, será concluída este ano.

Foto: Ministério da Infraestrutura

Tá… A ponte do Guaíba, em Porto Alegre, é um dos exemplos de obras do DNIT, ligado ao Ministério da Infraestrutura, que está em “situação constrangedora de inadimplência”.

…difícil. A obra precisa de, no mínimo, R$ 150 milhões para o reassentamento de duas comunidades e cerca de R$ 40 milhões para construir a última alça de acesso da ponte, além dos R$ 50 milhões devidos ao consórcio responsável por serviços já realizados.

PRONTO, FALEI! 

Deputado Sóstenes Cavalcante. Foto: Divulgação.

Sóstenes Cavalcante, deputado federal (DEM-RJ): “Bolsonaro não é o único culpado. E os erros dos Estados e municípios? Erraram na execução do recurso. Cada um tem de assumir sua parcela de culpa.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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