Para se cacifar, Centrão usa ‘raio gourmetizador’

Para se cacifar, Centrão usa ‘raio gourmetizador’

Coluna do Estadão

24 de novembro de 2019 | 05h00

Rodrigo Maia. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Sob inspiração de Rodrigo Maia, um grupo parlamentar lançou um “raio gourmetizador” em cima do prato requentado servido pelo Centrão. Quer se transformar numa “frente de centro”. Com o movimento, a turma (MDB, Republicanos, PL, PP e DEM, entre outros) coloca o chapéu sobre a cadeira que está vazia no meio da mesa do espectro político. Gol anotado. A receita, porém, é antiga: enquanto espera alguém disposto a tomar posse definitiva do assento, o Centrão atua para se cacifar e espetar conta salgada no governo ou em futuros candidatos.

O raio. Vídeo publicitário em defesa da frente começou a circular pelas redes sociais. “O centro de gravidade é o que nos dá equilíbrio”, diz trecho da peça, sem crédito, idealizada por políticos do Centrão e fãs de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Prato feito. O trivial variado que o Centrão costuma oferecer  para a política brasileira todo mundo  conhece: pouca orientação ideológica e muita disposição em se aproximar do Executivo e em fechar alianças. Luciano Huck, João Doria, Wilson Witzel e Jair Bolsonaro são potenciais clientes.

Dicionário. O “raio gourmetizador” é uma sátira a quem coloca a palavra “gourmet” em produtos só para inflacionar os preços.

Na prática. Experiente parlamentar, porém, observa que o grupo padece de “convicções de centro”, como a defesa inegociável das instituições democráticas, e de autonomia parlamentar acima de questões paroquiais, como liberações de emendas e cargos no poder.

Na prática 2. Os dirigentes da “frente” dizem que a atual aproximação não significa aliança eleitoral para 2020. Ou seja, nos cenários regionais, valerá a regra de se alinhar com quem tiver mais chance de vitória.

Copo vazio. Outro percalço é a sucessão de Maia no comando da Câmara. Vários partidos do bloco sonham com a sucessão dele.

A jato. Ex-capitão do Exército, o relator da reforma da Previdência dos militares, senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ), quer concluir a votação da matéria em até três semanas.

SINAIS PARTICULARES.
Arolde de Oliveira, senador pelo PSD-RJ

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

007. A Polícia Federal quer usar o Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em 1958, para dar um treinamento tático a agentes do FBI. A ideia é simular ações de entradas em edifícios.

Retorno. O teatro está fechado há sete anos para ser reformado e sofre com o abandono. Em setembro deste ano, o projeto para recuperação da Sala Martins Pena foi aprovado pelo Fundo de Direitos Difusos do Ministério da Justiça.

CLICK. Escolhido para disputar a Prefeitura de São Paulo pelo Novo no ano que vem, Filipe Sabará (à esq.) cumprimenta Diogo da Luz, concorrente derrotado no processo.

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Tranca. Wálter Nunes lança, terça-feira (dia 10/12) em SP, A Elite na Cadeia – O Dia a Dia dos Presos da Lava Jato (veja abaixo), livro-reportagem sobre a vida dos presos ilustres pela operação.

Tranca 2. “No Complexo Médico-Penal, em Pinhais (Paraná), chamava atenção a diferença de estrutura entre a ala em que ficavam os presos da Lava Jato e o local destinado aos detentos comuns. Um retrato de como o Estado trata de maneira desigual ricos e pobres até na cadeia”, afirmou Wálter Nunes à Coluna.

BIBLIOTECA POLÍTICA | LANÇAMENTOS

A Elite na Cadeia
WÁLTER NUNES
OBJETIVA
Lula, Cunha, Youssef e Odebrecht. Investigação reconstitui o cotidiano deles na prisão.

 

Os Onze
FELIPE RECONDO E LUIZ WEBER
CIA. DAS LETRAS
Radiografia do Supremo e de seus episódios marcantes, como o julgamento do mensalão.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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