Para Avaaz, Facebook é ineficiente ao corrigir informações falsas sobre covid-19 fora dos EUA

Para Avaaz, Facebook é ineficiente ao corrigir informações falsas sobre covid-19 fora dos EUA

Mariana Haubert

20 de abril de 2021 | 08h00

Foto:Dado Ruvic/Reuters

Levantamento feito pela Avaaz, divulgado nesta terça-feira, 20, apontou que o Facebook tem se mostrado ineficiente para corrigir publicações com informações falsas sobre a covid-19 na Europa em comparação com os Estados Unidos.

De acordo com o estudo, 56% do conteúdo com dados errôneos sobre a doença, publicados nos principais idiomas europeus – francês, italiano, espanhol e português -, não receberam nenhuma ação do Facebook, ou seja, não foram marcadas como informação falsa na rede, ainda que tenham sido analisadas por agências de checagem.

Das postagens americanas em inglês com o mesmo problema, apenas 26% ficaram sem marcação. Já das publicações em inglês feitas a partir da Europa, metade delas não foi sinalizada. Apesar do estudo abranger a questão no âmbito europeu, a disseminação de informação falsa em português acaba atingindo o Brasil. O português está em terceiro lugar no ranking de falta de medidas, com 50% do conteúdo não marcado.

Dentre os assuntos analisados, a entidade afirma que as principais narrativas encontradas eram anti-vacina, embora o Facebook tenha banido esse tipo de conteúdo em fevereiro, e contra o uso da máscara

De acordo com a Avaaz, o estudo analisou 135 peças com conteúdo falso nas cinco diferentes línguas e que foram postadas no fim de 2020 e início de 2021. A entidade diz ainda que, apesar de todos os anúncios e medidas adotadas pelo Facebook, a ação da plataforma contra a desinformação verificada não melhorou em comparação com estudo realizado no ano passado.

Para o diretor de campanhas da Avaaz, Luca Nicotra, os reguladores do mundo inteiro precisam parar de “ouvir as plataformas de redes sociais que continuam afirmando que podem combater a desinformação através da auto-regulação”.

“Apesar de uma série de anúncios louváveis e mudanças nas políticas das plataformas, o simples fato é que houve uma melhoria quase nula nos números em geral. Os legisladores devem ouvir os especialistas e garantir que as plataformas promovam um detox de seus algoritmos e informem todos os usuários que viram informações erradas”, disse.

Em nota enviada à Coluna, o Facebook informou que tem tomado uma série de medidas para combater a desinformação sobre a covid-19 em todo o mundo. A empresa afirmou ter removido milhões de posts que violavam a política da plataforma, disse que o relatório da Avaaz é baseado em pequena amostragem e que já foram rotulados mais de 167 milhões de posts com conteúdo adicional sobre a doença identificados pelos mais de 80 parceiros de checagem de fatos em todo o mundo.

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