Palácio do Planalto vai usar lupa política na reforma administrativa

Palácio do Planalto vai usar lupa política na reforma administrativa

Coluna do Estadão

28 de janeiro de 2020 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: ERALDO PERES/AP

O Planalto fará um pente fino na reforma administrativa preparada pela Economia. Na avaliação de palacianos, as mudanças, se mal conduzidas, têm grande potencial de desgastar a imagem de Jair Bolsonaro. A ideia é evitar, por exemplo, o que aconteceu com a CPMF no ano passado, quando o presidente, expressamente, proibiu a recriação do imposto e o ruído de comunicação com o ministério culminou na demissão de Marcos Cintra. A ordem principal à equipe econômica agora também é bem clara: não mexer com os atuais servidores.

Verde. O Palácio havia determinado que Paulo Guedes escolhesse entre as reformas administrativa e tributária. Mas, depois de sinalização positiva de Rodrigo Maia de que as duas podem ser votadas neste ano, ambas serão tocadas.

Condicional. O presidente da Câmara, porém, estipulou condição na administrativa: só mexer nas regras de quem ainda for entrar no funcionalismo público.

Reduto. Além do lobby dos servidores ser muito forte no Congresso, Jair Bolsonaro venceu no segundo turno com 70% dos votos válidos no DF. O eleitorado brasiliense é, em grande parte, seu apoiador.

Aliás. Dentre os 26 Estados e o DF, este último é o campeão de assinaturas para a criação do Aliança pelo Brasil: conseguiu bater em 110% a meta de assinaturas estabelecida pelo TSE (0,5% do eleitorado), chegando a mais de 8.000.

Prioridades. Apesar da sinalização de que as duas reformas devem seguir em frente, a cúpula da Câmara por enquanto está debruçada sobre a tributária. Inclusive, deputados realizam hoje importante reunião para tratar do assunto.

CLICK. Na Índia, em missão presidencial, Eduardo Bolsonaro, o ministro Ernesto Araújo e o assessor para assuntos internacionais, Filipe Martins, no Taj Mahal.

taj mahal

Divulgação/ Instagram: @bolsonarosp

Resgate! Quem ajudou a tirar Hamilton Mourão da geladeira foi o bombeiro palaciano, o ministro e general Luiz Eduardo Ramos.

Os escolhidos. O Novo encerrou o processo seletivo para as eleições municipais de outubro: 35 cidades, em todas as regiões do País, terão candidatos a prefeito. Houve aumento significativo em relação a 2016, quando o partido teve apenas uma candidatura para o cargo Executivo, no Rio.

Longo curso. O processo durou cerca de oito meses e foi conduzido pelo Comitê de Avaliação, que buscou candidatos que compartilham dos princípios e valores do partido. Para vereador, a seleção continua aberta em 42 cidades.

É o amor. O líder do Novo, Marcel Van Hatten, recebeu uma inesperada ligação de vídeo no final de semana: Zezé de Camargo. O sertanejo (ex-apoiador do petista Lula em 2002) rasgou elogios à atuação do deputado. “Você tem o dom da palavra e da palavra correta”, disse o cantor.

SINAIS PARTICULARES.
Marcel Van Hatten, deputado federal (RS), líder do Novo

Ilustração: Kleber Sales

 

Na corda. O caso de Fabio Wajngarten na Comissão de Ética Pública ficará nas mãos de Gustavo Rocha, ex-ministro de Michel Temer. O advogado é hoje secretário de Justiça do Distrito Federal. A decisão deve sair em 19 de fevereiro.

Para lembrar. O chefe da Secom colocou o irmão do seu adjunto, Samy Liberman, como administrador de sua empresa, a FW Comunicação e Marketing, que tem como clientes emissoras de TV e agências contratados pelo governo. Ele nega irregularidades.

PRONTO, FALEI!

Reprodução: Câmara dos Deputados

Júnior Bozzella, deputado federal (PSL-SP): “No mínimo, é irresponsabilidade administrativa. Um desrespeito com dinheiro público”, sobre relatório da “caixa-preta” do BNDES ter 8 páginas e custar R$ 48 mi.

COM MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU DANIEL WETERMAN.

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