Os Estados e a vacina: situação perto do limite

Os Estados e a vacina: situação perto do limite

Coluna do Estadão

06 de janeiro de 2021 | 05h00

Foto: Ed Ferreira/Estadão

A reunião de governadores com o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, teve clima de déjà vu, com a agravante de já estarmos em 2021: sentimento de diálogo estacionado com a situação perto do limite. “Se a gente chegar na próxima semana e não houver definição, com perspectiva da vacina da AstraZeneca autorizada, garanto que os Estados encontrarão um caminho”, disse Wellington Dias (PT-PI). Ele teme que se repita a corrida pela compra de respiradores no início da pandemia: “Seria o pior dos mundos”.

Se toca. Por isso, Dias articula reunião na próxima segunda-feira, 11, dos governadores com representantes do Congresso, STF, Anvisa, Fiocruz, Butantã, empresários e cientistas. A ideia é conseguir arrancar do governo, finalmente, um cronograma realista para a vacinação, porém, as expectativas são baixas.

Cada um por si. Helder Barbalho (MDB-PA) embarca na quinta-feira para Rio e São Paulo. Vai conversar com a Fiocruz e o Butantã.

E aí? No encontro, o governador Ronaldo Caiado (DEM-GO) voltou a cobrar da equipe da Saúde a compra da Coronavac, como havia sido prometido no ano passado, mas, até agora, nada avançou.

Oito… Com o aumento do número de casos da covid-19 e uma variante do coronavírus circulando no País, um eventual lockdown voltou a ser discutido entre cientistas, apesar de ainda não haver consenso.

…ou… “Ou o País entra num lockdown nacional imediatamente ou não daremos conta de enterrar os nossos mortos em 2021”, afirmou o neurocientista Miguel Nicolelis.

…oitenta. O ex-secretário Wanderson Oliveira diz que “decretar um lockdown nacional generalizado seria um dano à saúde pública”, porque: 1) não seria respeitado; 2) pode gerar efeito rebote nas medidas já implementadas até aqui.

Com calma. “Precisamos observar o perfil da epidemia ao longo de janeiro, com efeito das festas de fim de ano, e aí nos dará o tom do quanto devemos apertar o parafuso nas medidas restritivas”, afirmou.

2021? Na seção de perguntas mais frequentes sobre o coronavírus no site do Ministério da Saúde, é informado que o vírus não é transmitido pelo ar. No app da pasta, a orientação do uso de máscara para pessoas saudáveis é “somente” se estiver cuidando de pessoa contaminada ou com risco de ter o vírus.

SINAIS PARTICULARES.
Eduardo Pazuello, ministro da Saúde

Ilustração: Kleber Sales

A ver. De André Perfeito, economista-chefe da Necton, sobre a afirmação de Jair Bolsonaro de que o País quebrou: “É um instrumento retórico para cortar gastos, o que, na ótica do mercado, não é ruim”.

Alerta. “Mas vamos chegar em um ponto em que não adiantará só cortar, teremos de criar receita. Sem privatização, temos de ficar atentos para a possibilidade de surgirem novos impostos”, afirma Perfeito.

Agiliza. Diante das intensas movimentações de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), nome de Davi Alcolumbre (DEM-AP) para o comando do Senado, alas do MDB defendem antecipar a definição sobre quem será o candidato da legenda na disputa. A ideia é não ficar a reboque da movimentação dos outros.

CLICK. A 14 dias do fim da gestão Trump, Eduardo Bolsonaro leva família à Casa Branca para “estreitar laços”. Na foto, Ivanka Trump segura a bebê Georgia no colo.

Reprodução/Instagram

PRONTO, FALEI! 

Reprodução Câmara dos Deputados

Júnior Bozzella, deputado federal (SP) e vice-presidente do PSL: “As pautas do governo, tendo ‘bolsolira’ aliado do Centrão fisiológico, vão custar caro aos cofres públicos. Vai ser emenda, cargo, tudo que têm direito.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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