Ordem no governo é acelerar volta do auxílio

Ordem no governo é acelerar volta do auxílio

Coluna do Estadão

03 de março de 2021 | 05h00

Foto: Alex Silva/Estadão

Com Jair Bolsonaro em viés de baixa nas pesquisas e sob ataque dos governadores, o Planalto tem pressa: corre para colocar em pé o auxílio emergencial. A intenção de João Roma é começar a transferência direta de renda neste mês, porém, quem entende do riscado no Congresso avalia ser mais provável o início em abril. O modelo apresentado à equipe econômica prevê R$ 250 por mês para 46 milhões de brasileiros, em quatro parcelas, ao custo de R$ 11,5 bilhões por mês, R$ 46 bilhões no total. O mercado havia precificado a ajuda em R$ 30 bilhões.

Não é comigo. A ideia de retirar os recursos do Bolsa Família, orçado em R$ 34,9 bilhões, do teto de gastos neste ano foi submetida previamente ao ministro João Roma (Cidadania), mas a decisão em torno da medida ficou mesmo a cargo dos senadores. O ministério não fez qualquer análise técnica sobre a proposta.

Xá… Governadores se queixaram a Arthur Lira de falta de dinheiro, de leitos e de vacina. Saíram do encontro com o presidente da Câmara sem nada muito concreto, mas aliviados com as promessas de Lira de que vai atuar em favor deles.
…comigo. “O Congresso pode cumprir um papel em que o governo federal tem dificuldade”, disse Renato Casagrande (PSB-ES).

Vácuo. “Buscamos a colaboração da Câmara nessa interlocução para baixar a temperatura”, disse Helder Barbalho (MDB-PA).

Aham. Rui Costa (PT-BA) e Fátima Bezerra (PT-RN) subiram o tom contra o governo no encontro. Eduardo Leite (PSDB-RS) disse que não queria politizar a reunião, mas fez críticas à postura do presidente no fim de semana.

Cada um na sua. Governadores e Câmara deram de ombros aos pedidos do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) para que o Legislativo estabeleça os gatilhos de medidas restritivas nacionais. Ninguém, por ora, quer arcar com esse desgaste.

Cada um na sua 2. O Planalto não procurou os governadores para botar panos quentes na situação desde que Bolsonaro divulgou números equivocados de repasses aos Estados.

Na… Quando surgiu o assunto dos vetos de Bolsonaro à MP da vacina na reunião, o presidente da Câmara minimizou a retirada do artigo que liberava compra por Estados e municípios. Disse que a decisão do STF se sobrepõe ao veto.

…real. “O STF já autorizou a compra. É inócuo o veto. O problema nosso hoje é que a gente não tem vacina para comprar”, disse Casagrande à Coluna.

Vazio. De fato, a reunião de governadores com a União Química (Sputnik V) serviu mais como ato político do que ação concreta de compra de vacinas.

Vazio 2. “Não saímos com volume de vacina garantido, nem prazos estabelecidos e nem possibilidade de aquisição. Lamentavelmente, não”, afirmou Barbalho (MDB-PA). Uma volta à estaca zero: não há vacinas disponíveis no mercado.

CLICK. Os governadores Wellington Dias (PI), Renato Casagrande (ES) e Mauro Mendes (MT), da esquerda para a direita, se paramentaram para visitar as instalações de produção da Sputnik V.

Divulgação

Home. Em meio ao caos e à tragédia do País, a “brincadeira” em Brasília foi: o senador Flávio Bolsonaro inaugurou uma nova versão bolsonarista do programa Minha Casa Minha Vida ao adquirir a humilde moradia de quase R$ 6 milhões.

SINAIS PARTICULARES.
Flávio Bolsonaro, senador (Republicanos-RJ)

Ilustração: Kleber Sales

 

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