Operador de Pimentel redigiu edital de licitação no Ministério da Saúde vencida por ele

Um dos mandados foi para Gilnara Pinto Pereira, servidora da Coordenadoria de Materiais e Patrimônio do Ministério da Saúde

Fábio Fabrini e Andreza Matais

15 de setembro de 2016 | 15h27

benedito oliveira

 

O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, o Bené, apontado como operador do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), em esquemas de corrupção, contou em depoimentos de delação premiada ter elaborou edital de licitação que resultou em contratações de uma de suas empresas por órgãos públicos, entre eles o Ministério da Saúde. Esses negócios são investigados na Operação Acrônimo, desencadeada nesta quinta-feira, 15, pela Polícia Federal.

Conforme a Polícia Federal, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realizou pregão para contratar serviços de impressão gráfica. A Gráfica Brasil, da família de Bené, foi escolhida para desempenhar os serviços. A instituição de ensino registrou a ata de preços da concorrência. Depois disso, vários outros órgãos federais contrataram a gráfica do empresário por meio de adesão ao documento, entre eles a Saúde. O empresário teria faturado R$ 120 milhões com esses negócios.

Contrato com o ministério, de R$ 39 milhões, foi firmado paraconfeccionar material gráfico para campanhas relacionadas a hanseníase, verminoses e tracoma, além de cartões de carteira de medicação.

Nesta quinta-feira, a PF cumpriu mandado de condução coercitiva contra pessoas que teriam intermediado a contratação da empresa de Bené na Saúde. Um dos mandados foi para Gilnara Pinto Pereira, servidora da Coordenadoria de Materiais e Patrimônio do ministério.

Como mostrou o Estado em 9 de outubro do ano passado, a servidora foi indicada por Pimentel ao cargo. Relatório da PF sustenta que o governador indicava pessoas para postos estratégicos no governo, como forma de abrir portas para Bené.

A operação desta quinta-feita, no entanto, não tem Pimentel como alvo, mas apenas pessoas que intermediavam negócios para Bené.

Em diálogo interceptado pela PF, revelado pelo Estado no ano passado, Bené diz a Gilnara que precisava de alguém de “extrema confiança” para resolver algum problema relacionado com um contrato no Ministério da Saúde. Depois disso, ela foi nomeada para o cargo. Em outra conversa com ela, ao comentar o padrinho da indicação, Bené afirma: “Foi aquele amigo meu, que saiu do outro ministério para ser candidato”. “FP?”, questionou Gilnara. “Isso”, confirma Bené. Conforme os investigadores, “FP” é uma referência a Pimentel.

O Ministério da Saúde, contatados, não se pronunciaram ainda. As defesas de Pimentel e Bené não atenderem a telefonemas do Estado.

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