Omisso na defesa de seus quadros, PSDB vê pressão aumentar

Omisso na defesa de seus quadros, PSDB vê pressão aumentar

Coluna do Estadão

12 de junho de 2020 | 15h42

Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB Foto: André Dusek/Estadão

A crise do coronavírus parece ser capaz de mudar quase tudo no mundo, menos a ambivalência da direção nacional do PSDB. Quase quatro meses após a interposição de crises que amedrontam o País, o partido tucano ainda depende de lampejos individuais para se manter vivo no pesado jogo da política brasileira. Até agora, como disse um cardeal histórico do partido à Coluna, o caminho continua o mesmo percorrido nos últimos anos: diminuir e se omitir nos momentos de gravidade.

Os muitos tropeços do governo Jair Bolsonaro na pandemia e na defesa da democracia aumentaram a pressão interna no partido. Porém, como observado em outras crises, a única estratégia da direção nacional até agora é empurrar o problema com a barriga enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vai para a linha de frente das redes sociais e os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) se esfolam na gestão da crise em seus Estados, enfrentando o exército de robôs e a militância bolsonarista. Sem falar nos muitos prefeitos praticamente abandonados pelo partido.

O PSDB já se posicionou em defesa de Sérgio Moro e Luiz Henrique Mandetta, mas até agora foi incapaz de produzir uma nota clara, direta e firme em defesa de seus governadores e prefeitos, constantemente atacados por Bolsonaro simplesmente por fazerem o que é correto no combate ao novo coronavírus. As diferenças internas dos tucanos ainda impedem a união em prol do Brasil. E é justamente nisso em que aposta Bolsonaro.

O partido também não deixou clara a sua posição sobre os protestos de rua contra Bolsonaro em meio à pandemia, diferentemente da maioria das outras legendas.

Parlamentares do PSDB disseram à Coluna que vão pedir ao presidente Bruno Araújo uma nova reunião da Executiva Nacional para discutir o assunto: a última foi há mais de um mês e dela resultou o que mesmo? Qual o motivo da dubiedade? Para além das “questões genéticas” (o “murismo” parece mesmo estar no DNA tucano), há o pragmatismo. Ala importante do PSDB entende ser fundamental “manter diálogo” com o Planalto. Há cargos e nomeações em jogo.

O cálculo dos adeptos da tese do “diálogo” leva em conta dois fatores: o temor de ser tachado de “petista” e uma questão mais local, de que se aliar ao governo federal garante mais resultados práticos para suas bases, como recursos para obras. Outro resultado prático: indicação nos Estados. Segundo a Coluna apurou, há ao menos três nomes de deputados federais. Um deles é de Pedro Cunha Lima (PB) e do seu pai, ex-senador Cássio Cunha Lima. O clã indicou Evaldo Cruz Neto, cunhado de Pedro, para superintendência da Sudene, antes da pandemia. “Meu painel (de votações) na Câmara continua igual. Vou continuar ajudando no que é importante, como nas reformas, e criticando quando tem que ser criticado (o governo), como a MP dos reitores”, disse Pedro à Coluna.

O presidente da sigla, Bruno Araújo, teria sido consultado sobre as indicações por Luiz Eduardo Ramos. Mas ao ministro, disse que, como partido, não quer indicar ninguém. Se algum parlamentar emplacar um nome, aí tudo bem… O problema é que tucanos críticos a Bolsonaro se frustram com a falta de posicionamento mais incisivo diante da escalada do que consideram autoritarismo. Comentário de um tucano sobre Fernando Henrique Cardoso ter se tornado o maior comentarista do bolsonarismo no partido: “FH é reserva, mas tem de entrar em campo, porque os titulares sumiram”.

A Coluna tentou ouvir Bruno Araújo por três dias, mas ele não respondeu.

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