O risco da luta política na crise do coronavírus

O risco da luta política na crise do coronavírus

Coluna do Estadão

15 de março de 2020 | 05h00

FOTO: TOM BRENNER/REUTERS

O jogo travado em torno das manifestações deixou claro para quem acompanhou os bastidores do poder os altos riscos que a luta política impõe ao País neste grave momento. Por medo ou cálculo estratégico, ninguém (ou quase ninguém) nos Estados teve coragem de se levantar contra as manifestações mesmo quando já era amplamente reconhecido nos governos estaduais o perigo das aglomerações. A corda foi esticada até o limite, disse à Coluna uma autoridade de Saúde paulista. Ao final, Bolsonaro capitulou, como queriam os governadores.

Xi… No Legislativo, a irresponsabilidade também correu solta. Não foram poucos os que alertaram os bolsonaristas no Congresso, Assembleias e Câmaras Municipais sobre a loucura dos atos em meio ao avanço do coronavírus no País.

Delay. Ficou ruim também para a esquerda, que só cancelou os atos pelos dois anos do assassinato de Marielle Franco após Bolsonaro ter ido à TV.

Equação. Os receios dos governadores, em especial João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ), em determinar o cancelamento das manifestações eram dois: 1) tirar de Bolsonaro a responsabilidade pelos atos e o desgaste do recuo; 2) se indispor com a turma das ruas e virar alvo.

Delay 2. Somente após a fala de Bolsonaro, Witzel publicou decreto proibindo manifestações no Rio.

Em aberto. Do deputado bolsonarista Marco Feliciano (sem partido-SP), sobre o pronunciamento de Bolsonaro na quinta-feira, recomendando o cancelamento dos atos: “O povo entendeu que a postura do presidente foi institucional, mas que ele considerava as manifestações importantes”.

A ver. Quem compartilha da mesma leitura feita por Feliciano ainda apostava ontem que haverá movimentação nas ruas hoje.

Xerife. Nem Henrique Mandetta (Saúde), que até aqui merece uma estrela de condecoração, segundo deputados, escapou de derrapar no episódio. Até bem poucas horas antes do recuo de Bolsonaro, o ministro ainda “recomendava” que só quem estivesse resfriado ficasse em casa.

SINAIS PARTICULARES.
Henrique Mandetta, ministro da Saúde

Luto. Gustavo Bebianno, morto ontem aos 56 anos, vinha trabalhando intensamente na construção de sua candidatura à prefeitura do Rio pelo PSDB. Na semana passada, ele jantou com dirigentes do PSL.

CLICK. Karim Miskulin, do Grupo Voto, e o desembargador Thompson Flores, do TRF-4, que falou a empresários, em São Paulo, sobre as eleições americanas.

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Se liga. O lançamento das pré-candidaturas de Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB) a prefeito de São Paulo fará aumentar a pressão sobre Fernando Haddad. Com muitos nomes de esquerda na corrida, cresce a possibilidade de o PT perder o bonde da polarização e ficar fora do segundo turno.

Relax. Quem esteve recentemente com José Luiz Datena diz que a disposição do apresentador até aqui é ser vice neste ano.

Sarrafo… O PSDB-SP atingiu a marca histórica de 450 pré-candidatos a prefeito no Estado. Nos primeiros dias da janela eleitoral, o partido filiou, em ato na capital, mais de 60 lideranças disposta a disputar as eleições deste ano.

…alto. A meta ambiciosa do governador João Doria e do presidente do PSDB-SP, Marco Vinholi, é eleger 200 prefeitos em outubro.

PRONTO, FALEI!

Carlos Alberto dos Santos Cruz. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Santos Cruz, general e ex-ministro: “Tenho certeza de que ele foi muito importante na campanha para as eleições de 2018. Ministro leal, corajoso e equilibrado”, sobre Gustavo Bebianno.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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