O recado ao ministro: corra, Queiroga, corra

O recado ao ministro: corra, Queiroga, corra

Coluna do Estadão

17 de março de 2021 | 05h00

O medico Cardiologista, Marcelo Antonio Cartaxo Queiroga com o ministro Eduardo Pazuello durante declaração a imprensa, no MS. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Os primeiros movimentos de Marcelo Queiroga decepcionaram parlamentares, governadores, gestores da área de saúde e a comunidade científica. Foram lentos e tímidos, indicando que a estratégia de Jair Bolsonaro de, agora, evocar a vacina para continuar contra o confinamento será mantida. Sem lockdowns, será difícil interromper o contágio e, na prática, muita gente ainda vai morrer de covid-19 no País. “Se continuarmos nessa política, vamos ficar contando mortos. A vacinação está lentíssima”, afirma a epidemiologista Ethel Maciel.

Lentidão. Segundo Ethel, é difícil fazer previsões porque o calendário de vacinação perdeu a credibilidade. O ideal era o País estar vacinando 2 milhões de pessoas por dia até outubro.

Realidade. Considerando que tudo dê certo, possivelmente haverá imunidade de rebanho em dezembro. Na outra ponta, se confirmadas as previsões de média diária de 3 mil mortos por dia, a carnificina baterá números ainda mais macabros até o fim do ano.

Fogo. A manifestação de Marcelo Ramos (PL-AM), vice-presidente da Câmara, cobrando agilidade de Queiroga, foi interpretada como sinal de que a batata de Bolsonaro poderá assar se resultados não aparecerem.

De olho… Senadores que defendem a CPI da Covid-19 avaliam que a mudança de comando na Saúde dá um respiro a Rodrigo Pacheco (DEM-MG), até agora contrário à investigação.

…aberto. Porém, o novo ministro Marcelo Queiroga terá de mostrar resultados rápidos, pois a pressão pela comissão de investigação não morreu, apenas deu uma arrefecida, dizem.

CLICK. Queiroga em reunião com as deputadas (da esq. para a dir.) Mariana Carvalho (PSDB), Celina Leão (PP), Soraya Santos (PL) e Margareth Coelho (PP).

Reprodução/Instagram

Na… Fundações de PT, PDT, PSOL, PSB, PCdoB, Cidadania e PROS elaboraram PEC para tornar crime de responsabilidade ações que atentem contra a vida, por sabotagem ou omissão, em situações de pandemia.

…lei. Articulada por Aloizio Mercadante (PT), a proposta quer ainda acrescentar na Constituição “a defesa da vida” como princípio da República. Hoje, 73 pedidos de impeachment foram protocolados contra o presidente na Câmara.

Olho no lance. Bola nas costas foi o que Arthur Lira (PP-AL) tomou de Bolsonaro na troca do ministro. Ficou vendido na jogada.

SINAIS PARTICULARES.
Arthur Lira, presidente da Câmara

Ilustração: Kleber Sales

Dindin. Portaria da PGR institui a possibilidade de procuradores do Ministério Público da União obterem ressarcimento de gastos com a contribuição e o custeio do plano de saúde. O valor a ser recebido pode chegar a até 10% do subsídio mensal de cada um.

Ajudinha. Um procurador que ganha R$ 35,5 mil mensais, por exemplo, pode ser ressarcido em até R$ 3,5 mil, referente ao que pagará ao plano de saúde.

Todo mundo. A medida vale para membros ativos e inativos do Ministério Público da União e seus dependentes. Hoje, esses valores são pagos pelos membros do MPU e não há nenhum tipo de ressarcimento.

Com a palavra. De acordo com a PGR, a portaria atende à decisão de dezembro do CNMP. A medida também não tem aplicação imediata porque depende de regulamentação específica em cada ramo do MPU e previsão no orçamento.

GDO. Tabata Amaral (PDT-SP) virou alvo de fake news… da oposição. A deputada sofreu chuvas de ataques por ter votado a favor da PEC Emergencial que, segundo detratores, congelaria salários de servidores por 15 anos, o que não é verdade.

PRONTO, FALEI! 

Luiza Frischeisen. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Luiza Frischeisen, subprocuradora-geral da República: “No futuro, quando tudo isso passar, como serão chamados esses dias? Naqueles dias de morte, ignorância e negacionismo, morrerem centenas de milhares… Faremos (farão) minutos de silêncio nos estádios de futebol? Haverá monumentos em honra aos mortos e aos que lutaram contra?”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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