‘O presidencialismo de coalizão quebrou’

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Marcelo de Moraes

16 de maio de 2016 | 05h00

ENTREVISTA/TASSO JEREISSATI

Um dos principais líderes nacionais do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) não esconde sua expectativa pelos primeiros movimentos da administração do presidente em exercício Michel Temer. “Qualquer erro que venha a ser cometido poderá ser fatal”, diz. O senador apoia a decisão dos tucanos de integrar a base do novo governo, mas defende que Temer não repita a política de loteamento de cargos, que se tornou prática comum. “Não pode ser mais do mesmo. Esse modelo de presidencialismo de coalizão se exauriu. Quebrou”, diz.

Início do governo Temer
Acho que tem que dar uma sinalização positiva em pelo menos dez dias. Porque existe uma expectativa muito grande da população e da sociedade. E, dessa vez, não é uma expectativa negativa ou positiva. As pessoas estão esperando para ver o que vai acontecer. Até porque a avaliação do Temer pela população não é muito positiva. Mas, ao mesmo tempo, há uma esperança. Então, qualquer erro que venha a ser feito pode ser fatal.

Loteamento de cargos
O mais importante, a meu ver, é que não se faça mais do mesmo. Não pode ter loteamento entre os partidos. Tem que reverter a sensação de que é um ministério fraco e que o governo não vai ter força para fazer aquilo que é necessário. Tem que mostrar que, realmente, está comprometido com o fim da corrupção. Essa sinalização tem que ser dada muito clara e imediatamente.

Dívida pública
Precisa tomar algumas medidas de caráter econômico que são imprescindíveis. A primeira é sinalizar que vai parar com a trajetória de crescimento da dívida pública, que está levando o País para a quase inadimplência no futuro. Isso é fundamental para reacender o clima de confiança no mercado.

Reformas
Não sei se conseguiremos aprovar reformas difíceis imediatamente. Mas algumas mudanças pontuais sim. Na Previdência, uma das duas coisas: ou tocar em idade mínima ou prolongar o tempo de contribuição. Isso é básico para fazer com que o crescimento da dívida arrefeça.

Impeachment
Tenho 67 anos e já vivi dois impeachments. É demais. Não podemos mais viver sujeitos à instabilidades. O parlamentarismo é o remédio para as crises que estão acontecendo ciclicamente.

Parlamentarismo

É o momento em que vi mais crescer essa tese. Muita gente que se dizia presidencialista até a alma, está começando a mudar de posição. Defendo o Parlamentarismo. Acho difícil para a próxima eleição, mas algumas mudanças podem passar já. Mas com o atual sistema partidário não existe Parlamentarismo. Precisa mudar o número de partidos, financiamento de campanha, cláusula de barreira.

Sistema falido

Acho que está provado que esse modelo de Presidencialismo de coalizão faliu, quebrou, não funciona. Temos que fazer imediatamente reforma com pontos mínimos que mude esse modelo que está viciado e exaurido.

Apoio tucano a Temer
PSDB dará ajuda de 100%. Independentemente de qualquer coisa, o presidente Michel Temer vai contar conosco no governo.

Dilma e o impeachment
Eu acho que está havendo um pouco de irracionalidade na reação dela e do PT. É uma reação emocional, agindo pelo fígado. E fazendo algumas coisas que não são para atrapalhar o novo governo. Mas para atrapalhar o País.

Crise do PT

Está na hora de o PT ter grandeza e reconhecer seus erros. Se recriar, dar a volta por cima. É importante para o País. E voltar a ter a atuação que sempre teve. Acho que nunca um partido cometeu tantos erros quando chegou ao poder. De comportamento ético a erros administrativos monumentais, até a postura de governar. Mas o PT representa um setor importante da sociedade.

Futuro de PSDB e PT
O modelo político se exauriu e todos os partidos se enfraqueceram. PSDB e PT são os que têm maior personalidade e vão protagonizar a disputa presidencial.