O mensalão e os riscos do ‘deixar sangrar’

O mensalão e os riscos do ‘deixar sangrar’

Coluna do Estadão

25 de maio de 2021 | 05h00

Lula discursa no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Berrnardo do Campo Foto: Werther Santana/Estadão

Quem viveu por dentro a crise do mensalão alerta a atual oposição: a estratégia do “deixar o presidente sangrar até a eleição” deu errado em 2005 e pode dar errado de novo. Naquela época, o então presidente Lula vivia um calvário, e setores do PSDB, a exemplo do que pensa uma ala do PT hoje, preferiu tirar o pé da pressão pelo impeachment do petista, achando que a jararaca estava moribunda. O governo do PT, então, abriu a torneira do gasto público, irrigou a base no Congresso e jogou suas fichas no Nordeste. O PSDB jamais voltou ao Planalto.

A ver. Como mostrou a Coluna, nos bastidores, o Centrão e até alguns petistas acham que o bom momento de Lula nas pesquisas, combinado com o ruim de Bolsonaro, atenuou a “urgência” do impeachment do presidente.

Conjuntura. O Centrão quer tirar o que puder do governo e, se o presidente estiver mal em 2022, pulará na canoa que estiver mais bem posicionada. Os petistas acham que o impeachment pode complicar a caminhada de Lula até 2022.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

Kleber Sales

Saída… A ida de Eduardo Pazuello para a reserva, depois da participação no ato bolsonarista no Rio, é dada como certa por militares e palacianos. A consequência: ele poderá ficar mais exposto na CPI da Covid.

…de… Os senadores, de certa forma, mantiveram decoro no tratamento ao ex-ministro por ser um general da ativa. O comandante do Exército, Paulo Sérgio Oliveira, chegou a falar com Omar Aziz (PSD-AM).

…emergência. Sem a farda, Pazuello não ficará resguardado pelo Exército. Por outro lado, segundo aliados, poderá assumir a política comandando algum ministério e, depois, se candidatando a um cargo, como o de senador pelo Rio.

Tempo. A questão agora é o timing. Segundo a Coluna apurou, a discussão sobre ir ou não para a reserva deve vir só depois de concluída a punição no processo administrativo, garantindo ainda, provavelmente, algum verniz verde-oliva no próximo depoimento na CPI.

Tem de… Na véspera da participação de Mayra Pinheiro na CPI da Covid, 1.136 médicos divulgaram uma carta aberta em sua defesa. O documento alega que a comissão “tem politizado questões médicas e científicas”, e critica o apelido “capitã cloroquina” da secretária do Ministério da Saúde.

… tudo. “Reconhecida por sua luta pela medicina de qualidade, com a consequente melhoria para a saúde da população, Dra. Mayra merece respeito, além da gratidão de toda classe médica”, diz o documento. Segundo Pazuello, foi a médica quem sugeriu o TrateCov – aplicativo que recomendava cloroquina no tratamento para a covid-19.

CLICK. Dois momentos de Wilson Poit no Sebrae-SP: em 2019, quando assumiu a direção, e agora, após a digitalização da entidade. O visual dele também mudou….

Coluna do Estadão

Em casa… A denúncia da PGR contra Wilson Lima (PSC) está na bica para ser julgada no STJ. Nos bastidores, a aposta é que o governador do Amazonas será tornado réu.

…nova. O vice de Lima, Carlos Almeida Filho, aterrissou em ninho tucano. Com o apoio do ex-prefeito de Manaus e presidente do partido no Amazonas, Arthur Virgílio, e do senador Tasso Jereissati (CE), Almeida assinou ficha de filiação ao PSDB.

PRONTO, FALEI!

João Amoêdo, candidato a presidente pelo Novo em 2018: “É inaceitável que Eduardo Pazuello, como general da ativa, suba em palanque para apoiar o presidente Bolsonaro ou qualquer político. Precisa ser punido.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA.

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