O ‘mea culpa’ de FHC e a campanha de 2022

O ‘mea culpa’ de FHC e a campanha de 2022

Coluna do Estadão

06 de setembro de 2020 | 20h58

Fernando Henrique Cardoso. FOTO: JF DIORIO/ESTADÃO

O artigo de Fernando Henrique Cardoso, no Estadão, foi interpretado com a gravidade necessária pelas cabeças pensantes da política. Não é sempre que um ex-presidente faz um “mea culpa”: “Devo reconhecer que historicamente foi um erro”, disse FHC, sobre o instituto da reeleição. Políticos e grupos organizados interpretaram a “confissão” como senha para que o debate amadureça na sociedade e se transforme em compromisso timbrado nas campanhas presidenciais. João Doria (PSDB), por exemplo, sempre disse ser contra a reeleição.

Relevância. “É um gesto muito denso, histórico. Ajuda a construir caminhos para o Brasil, para a construção de novas lideranças”, afirmou o ex-governador Paulo Hartung. Segundo ele, “o País não tem instituições sólidas para controlar a brutalidade do uso das máquinas públicas”.

E aí?. A “confissão” de FHC e joga mais pressão sobre o ambíguo PSDB porque mostra, sobretudo, a preocupação, reiterada, do ex-presidente com um retrocesso democrático.

Vixe. FHC foi incisivo ao analisar a situação de Paulo Guedes: “Trombou com a crise, pela qual não é responsável. Não importa, vai pagar o preço”. O ex-presidente nunca chegou a ser fã de Guedes, mas, reservadamente, avaliava que o ministro poderia surpreender.

Vixe 2. Os bolsonaristas, claro, caíram em cima do tucano. Interpretaram o artigo como mais um ataque a Bolsonaro. Em linhas gerais, disserem que FHC só mudou de ideia porque já vê o presidente reeleito.

Ops. Lembrando que, em 2018, Bolsonaro prometia não tentar a reeleição

Nem aí. Ao invés de entrar no debate, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tenta fazer um “gato” no STF para aprovar sua própria reeleição, usando justamente o precedente do tucano.

O cara? Mesmo adversários do governo reconhecem que o Tarcísio de Freitas tem experiência necessária em canteiro de obras para colocar em pé o plano eleitoral do presidente até 2022. O ministro da Infraestrutura é apontado como peça fundamental na reeleição de Jair Bolsonaro.

SINAIS PARTICULARES.
Tarcísio de Freitas, ministro da Infraestrutura

Kleber Sales

Com lupa. O artigo 37-A da reforma administrativa acendeu luz amarela no Congresso. Técnicos acham que o trecho é muito abrangente e poderia, por exemplo, dar brecha até para privatização de presídios.

Na letra… O texto diz que União, Estados e municípios poderão firmar cooperação com entidades privadas para execução de serviços públicos.

… fria. Prevê a possibilidade do compartilhamento de estrutura física e recursos humanos, com exceção de carreiras típicas de Estado.

Pressão. O funcionalismo se mobilizou contra a reforma numa enquete no portal da Câmara. Resultado: 94% discordavam completamente (122 mil votos).

CLICK. Panfletos com os dizeres “Aras, inimigo da Lava Jato” foram distribuídos pelo Vem Pra Rua em SP. Atos em prol da operação foram registrados ontem pelo País.

Corre… Preocupada com o efeito da pandemia, a equipe econômica pediu a Rodrigo Maia a retomada do Pacto Federativo na Câmara (sim, apesar da briga com Paulo Guedes).

… aí. O presidente da Casa quer que seja apresentado em menos de 15 dias o novo texto da PEC – cujo relator deve ser Mauro Benevides Filho (PDT-CE).

BOMBOU NAS REDES!

Xico Graziano

Foto: José Patrício/Estadão

Xico Graziano, agrônomo e ex-presidente do Incra: “Artigo de FHC neste domingo (no Estadão) é um marco. Pela primeira vez ele reconhece que o instituto da reeleição foi seu maior erro político.”

COM ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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