O mapa da guerra contra o ‘lavajatismo’ no CNMP

O mapa da guerra contra o ‘lavajatismo’ no CNMP

Coluna do Estadão

02 de agosto de 2020 | 05h00

Deltan Dallagnol. FOTO: UESLEI MARCELINO/REUTERS

Os conselheiros do CNMP críticos ao “lavajatismo” trabalham contra o relógio nas próximas três semanas para garantir apoios suficientes pela remoção de Deltan Dallagnol da força-tarefa da Lava Jato. Na sessão do próximo dia 18, o relator Luiz Fernando Bandeira apresentará seu voto pela abertura do processo contra o procurador e o grupo favorável ao afastamento já diz contar com ao menos 6 dos 11 votos. A ideia é, primeiro, evitar um pedido de vista e conseguir aprovar o afastamento imediato, por liminar, de Dallagnol já no dia 18.

Quase parando? Para que isso tudo seja possível, no entendimento de conselheiros, é preciso Augusto Aras entrar com mais força na costura. Apesar de bradar contra a Lava Jato em lives, nos bastidores, o PGR tem jogado quase parado.

Timing… Emissários do CNMP foram ao STF pedir a ministros que pressionem o procurador-geral. Aras, que busca se viabilizar para a vaga de Celso de Mello, estaria mais aberto a pedidos de possíveis futuros colegas, digamos assim.

…é tudo. Eles têm pressa. Luiz Fux, que assumirá o comando da Corte em 5 de setembro, é visto como simpático aos “lavajatistas”.

Prova. Para advogados do grupo Prerrogativas, que lançaram O Livro das Suspeições, o processo contra Dallagnol é aguardado com expectativa porque dará o tom sobre a atuação do CNMP, visto, muitas vezes, como corporativista.

Prova 2. “A questão é o simbólico, o CNMP tendo que dar uma resposta para a própria credibilidade das instituições”, disse Lenio Streck, professor e advogado. O grupo defende ainda uma reorganização do conselho com a ampliação de vagas para indicados da sociedade e do Congresso.

Aí… Quem conhece do riscado (e não está alinhado ao governo), vê, sim, motivos para um certo otimismo do time de Jair Bolsonaro rumo à reeleição.

…eu vou pra galera. Seja pela dificuldade de os adversários se viabilizarem à direita ou pela desunião no centro e na esquerda, o presidente farejou o vento, sentiu o caminho livre e caiu na estrada em campanha.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

Ilustração: Kleber Sales

Surgiu… Na tentativa de distensionar o debate em torno da criação do novo tributo sobre transações digitais, a equipe econômica deve enviar ao Congresso a proposta de forma que ela tramite paralelamente à reforma tributária.

…uma ideia. Assim, a discussão sobre o novo imposto não tumultuaria os trabalhos em torno da reforma, já em análise.

Jeitinho. A tramitação paralela do novo imposto também é vista como uma forma de dirimir os entraves com Rodrigo Maia, principal voz contrária à ideia. Para ele, o novo tributo significa a recriação da CPMF.

Do bem? A equipe econômica também quer atrelar a proposta do novo imposto ao financiamento do Renda Brasil como forma de sensibilizar a sociedade em torno da sua discussão.

Registro. Renato Battista diz que a desistência dele de concorrer a vereador em São Paulo “não tem relação com a operação” que mirou o MBL. “Até porque, sequer sou citado”, afirmou. “A decisão já havia sido tomada em janeiro passado.”

CLICK. No meio da pandemia, Filipe Sabará, pré-candidato do Novo a prefeito de São Paulo, visitou hospital abandonado na Zona Leste, ao lado de Correia Júnior.

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PRONTO, FALEI! 

Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB: “O Brasil assiste a uma minoria que prega a intolerância, a violência e o ódio. Precisamos usar a arma da paz em defesa da democracia e da justiça social.”

 

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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