O ‘inimigo’, agora, é outro: forte e articulado

O ‘inimigo’, agora, é outro: forte e articulado

Coluna do Estadão

25 de agosto de 2019 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/REUTERS

Se na minicrise dos cortes da educação Jair Bolsonaro apontou o dedo aos estudantes e acusou-os de massa de manobra da esquerda, o “inimigo”, agora, é outro, mais forte, articulado e distribuído pelo espectro político-ideológico. A crise do meio ambiente envolve potências europeias e perfis poderosos nas redes sociais. Essa reação internacional reforçou, até aqui, o discurso polarizador bolsonarista contra seus rivais, mas, para analistas ouvidos pela Coluna, será insuficiente quando, no mundo real, surgirem barreiras ao agronegócio brasileiro.

Mudou. Outra diferença: em maio, nos cortes da educação, Bolsonaro era o dono da bola, tinha o controle dos cortes. Não tem agora.

2 em 1. Carlos Bolsonaro tentou chamar o governador de SP para dançar nas redes sociais: se referiu a Emanuel Macron como “Doria francês”. João Doria não respondeu ao ataque.

Diversificando… No próximo dia 4, o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, Alceu Moreira (MDB-RS), acompanha Rodrigo Maia e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em visita à embaixada britânica no Brasil.

…aliados. Vão discutir acordo comercial que, esperam, será fechado durante viagem dos parlamentares ao país. A expectativa é que o Brexit abra um novo parceiro comercial ao País.

Vem! Deixado na chuva pelo partido Novo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recebeu convites para se filiar ao PSL.

Timing. Deputados ambientalistas querem convencer Maia a desistir de alterar a lei do licenciamento ambiental. “Quando o mundo está falando sobre o nosso desmatamento, será que é o momento?, diz Rodrigo Agostinho (PSB-SP).

De fora. Um dos pontos polêmicos é a não menção à consulta aos povos indígenas, exigência de uma resolução da OIT. Para Kim Kataguiri, relator do texto, a resolução é suficiente, não havendo a necessidade de incluir a regra na lei.

Avante. Maia quer seguir com o texto para estipular regras e dar segurança ao debate. Kim o acompanhará em viagem à Europa.

Shiu! Governistas avaliam que, mais uma vez, o erro na crise das queimadas da Amazônia foi da comunicação. Sustentam que o nível do fogo é o mesmo de anos anteriores, mas admitem que o presidente fala mais do que deveria.

CLICK. Autor do pedido de impeachment contra o vice-presidente, Hamilton Mourão, o deputado Marco Feliciano (Pode-SP) ganhou do Exército a medalha do Pacificador.

Deputado Marco Feliciano e presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instragram Marco Feliciano

Reforma tudo. O governo lançará uma MP, coordenada pelo ministro Tarcísio de Oliveira com o apoio da Marinha, com novas regras para o setor de cabotagem (navegação marítima).

Divergências. Paulo Guedes não gostou do texto. Achou fechado demais para um governo liberal. Articuladores da MP ironizaram ao saber da reação: “passarinho novo não mergulha fundo”.

Pólvora. Na avaliação do governo, o assunto é de extrema relevância. “Se os caminhoneiros são uma ameaça, o setor portuário é uma ameaça dez vezes maior.”

Mais um. A comemoração de Wilson Witzel na morte do sequestrador de um ônibus no Rio deixou claro que o governador é mais um a apostar no derretimento político de Jair Bolsonaro e numa via eleitoral aberta à direita em 2022.

PRONTO, FALEI!

Foto; Alex Pazuello

“O grande mal do Brasil é que de cada 100 economistas brasileiros, 110 nunca pisaram na Amazônia”, sobre a crise deflagrada com as queimadas na Amazônia.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE

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