O impacto do auxílio na economia do Nordeste

O impacto do auxílio na economia do Nordeste

Coluna do Estadão

03 de setembro de 2020 | 05h00

O presidente Jair Bolsonaro em aeroporto no Piauí em julho Foto: André Pessoa/Estadão

Nota técnica da Secretaria de Política Econômica do governo federal, obtida pela Coluna, comprova e quantifica o que os políticos já haviam farejado: o auxílio emergencial de R$ 600 ajudou a impulsionar a economia nos rincões do País. No Nordeste, os repasses representam até 5% do PIB mensal de quase metade dos municípios. No Norte, 2,5%. Porém, as conclusões ajudam a aumentar a angústia de Jair Bolsonaro: o “desmame” do auxílio (estendido até dezembro) pode ser traumático, especialmente se o cenário econômico ainda estiver tenebroso.

Menor renda. “No que se refere à focalização municipal, observa-se que o auxílio emergencial atingiu com maior intensidade municípios com menores índices de desenvolvimento humano (IDH)”, diz o documento.

Dividido. O texto conclui que o primeiro mês de pagamentos impactou mais Norte e Nordeste por causa do grande número de beneficiários do Bolsa Família nessas regiões. Em seguida, avançou sobre o centro-sul por causa dos informais.

Na ponta. A Economia utilizou dados de abril e maio do benefício. Em alguns municípios do Norte e Nordeste, a transferência com o programa chegou a mais de 7,5% da estimativa do PIB mensal.

Veja bem. O cálculo se baseou em dados do PIB de 2017, atualizados. Neste ano, em que o PIB nacional teve queda histórica (9,7% no segundo trimestre), técnicos projetam que a proporção pode ser ainda maior.

Cenário. Um interlocutor nordestino da oposição resume: enquanto a esquerda está preocupada com disputa fratricida nas eleições municipais, o governo avança sobre a região outrora dominada pelo lulismo. Bolsonaro é auxílio emergencial no bolso e voto na urna.

CLICK. João Octaviano (à dir.), secretário de Logística de SP, faz vistoria virtual, realizada ao vivo por meio de um drone, em obras da Rodovia Raposo Tavares.

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Cada um por si. A proposta de reforma administrativa que deve ser enviada hoje ao Congresso só tratará do Executivo. Ordens expressas do presidente: não quer ser tachado de “antidemocrático”, segundo uma fonte, por estar intervindo em outros Poderes. Estados e municípios também ficam de fora.

Pra já. Ex-governador do ES, Paulo Hartung, sobre a proposta do governo:”Reforma para futuros funcionários, a gente poderia ter feito há 20 anos, quando se começou a dar sinais que esse modelo estava exaurindo. Agora exauriu, não tem mais como fazer uma coisa hoje para colher resultados daqui a 10, 20 anos”

Cuma? A sugestão de Edson Fachin de que o plenário do STF reveja a regra de empate em casos penais causou arrepios a advogados: “Trata-se de uma garantia universal determinando que qualquer condenação criminal só é válida se estiver suficientemente provada pelo Ministério Público”, diz o criminalista Marcelo Bessa, do Instituto de Garantias Penais.

Tabuleiro. O vereador e ex-prefeito César Maia (DEM-RJ) reuniu em texto 24 dicas para que uma campanha eleitoral seja bem-sucedida. “Tenha sempre a iniciativa: jogue com as peças brancas”, aconselhou. “Não ataque todos os concorrentes no primeiro turno: você precisará de um deles, pelo menos, no segundo turno.” Ele disputará a reeleição.

SINAIS PARTICULARES.
César Maia, vereador (DEM-RJ)

Ilustração: Kleber Sales

Prioridades. O Desenvolvimento Regional editou portaria para regulamentar a concessão de, veja só, elogios aos servidores do ministério. Eles podem receber a estima em casos de “prática de ato excepcional, de relevância profissional, humanitária e de interesse do bem comum”.

Lista. Os elogios devem ser propostos e fundamentados pelas chefias imediatas ou autoridades da pasta. Atos de bravura, honestidade e participação em entidades sem fins lucrativos também podem ser reconhecidos.

Limites. A portaria, no entanto, frisa que deveres básicos, como assiduidade, pontualidade, disciplina e produtividade, ficam fora do rol de ações dignas de nota. O acúmulo de elogios, porém, não significará gratificações financeiras ou mesmo promoções.

Pra frente. O julgamento de Ricardo Salles, no TJ-SP, foi adiado a pedido da defesa do ministro. Ainda não há novo prazo. Ele é acusado de improbidade administrativa por causa de ação do período em que foi secretário do Meio Ambiente de São Paulo.

PRONTO, FALEI!

Foto: Ascom Conass

Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde: “O discurso antivacina causa um problema mundial, ao levar a crença de que as liberdades individuais são ilimitadas. Não são. Não quando minha atitude cria risco para a sociedade. Seria um retrocesso termos um dos programas de imunização mais eficientes do mundo trocados por um movimento antivacina.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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