O ‘ghosting’ da Saúde no Butantan em 2020

O ‘ghosting’ da Saúde no Butantan em 2020

Coluna do Estadão

28 de maio de 2021 | 05h00

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, durante depoimento na CPI da Covid Foto: Gabriela Biló/Estadão

Dimas Covas afirmou na CPI da Covid que, após o episódio do “um manda, o outro obedece”, em outubro passado, houve uma “inflexão” nas conversas do Butantan com o Ministério da Saúde sobre a compra da Coronavac pelo governo federal. Porém, ele não detalhou a “inflexão”. Segundo a Coluna apurou, o instituto tomou um “ghosting”: interlocutores da Saúde com o Butantan passaram a atender menos as ligações; quando atendiam, pediam “compreensão”, falavam em dar “tempo ao tempo” e evitavam qualquer tipo de respostas diretas.

Se liga. Termo do mundo digital, “ghosting” é quando uma pessoa deixa de responder a mensagens e ligações, sem aviso.

Panos quentes. Só em dezembro a Saúde passou a retomar as conversas com o Butantan, discretamente. Como a Coluna revelou naquela época, Pazuello designou Airton Cascavel como emissário para o diálogo.

Ele não? Aliás, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tratou pouquíssimas vezes sobre vacina com o Butantan, assim como ocorreu com a Pfizer.

Ufa! Após o longo depoimento, Dimas Covas disse a interlocutores ter dado seu melhor: apresentou ofícios, fatos, cronogramas, não fez juízo de valor.

Esperança. Dirigentes do Butantan também ficaram satisfeitos com o depoimento de Dimas Covas. Com a CPI em andamento e Ministério da Saúde sob novo comando, a expectativa em torno da Butanvac cresceu. Acreditam que a novela da Coronavac não se repetirá.

Bem…. A CPI da Covid completa um mês com apoio de 70,7% nas redes sociais, de acordo com o IP Brasil, da agência .MAP.

…na fita. O perfil das manifestações sobre a CPI mostra claramente como ela é alvo de polarização entre os públicos de direita e de esquerda, que concentram 33,1% e 22,4%, respectivamente, das menções.

Ficou sem… Dois motivos levaram Paulo Caffarelli a renunciar ao cargo de CEO da Cielo. O primeiro deles: os sucessivos resultados ruins em sua gestão. No primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido caiu 54% em comparação com o trimestre anterior.

…clima. O segundo motivo é político. Planalto e Ministério da Economia nunca esqueceram as “raízes petistas” de Caffarelli, que foi número dois de Guido Mantega na Fazenda no governo Dilma Rousseff. A Cielo é controlada por Bradesco e Banco do Brasil.

CLICK. O prefeito Ricardo Nunes citou a questão dos precatórios como exemplo da ajuda de Serra aos municípios: deu fôlego financeiro às contas das administrações.

Coluna do Estadão

In… O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pediu o apoio de José Serra na busca por verbas direcionadas à construção de um centro avançado de pesquisa e atendimento para o câncer 100% SUS.

…memoriam. O novo centro vai se chamar Bruno Covas, em homenagem ao prefeito morto recentemente. O senador do PSDB se comprometeu com o projeto.

SINAIS PARTICULARES.
Leonardo Euler de Morais,
presidente da Anatel

Vacina…. O presidente da Anatel, Leonardo Euler de Morais, viajará para os Estados Unidos entre 5 e 16 de junho, para uma missão ministerial e agenda de encontros com investidores para tratar de 5G.

…tour? Morais passará por Washington, Nova York e Miami. A piada em Brasília, onde nunca se perde a piada: aproveitará e fará o tour da vacina nos EUA?

PRONTO, FALEI!

O governador de Alagoas, Renan Filho Foto: Nilton Fukuda / Estadão

Renan Filho, governador do Alagoas: “O presidente da República tem dado péssimos exemplos: incentiva as pessoas a não usar máscara, desdenha de aglomeração e desvaloriza vacinas.”

COM REPORTAGEM ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA

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