O custo para Doria ao se descolar de Bolsonaro

O custo para Doria ao se descolar de Bolsonaro

Coluna do Estadão

02 de agosto de 2019 | 05h00

Jair Bolsonaro e João Doria em julho de 2019. FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Não será tão simples um eventual descolamento de João Doria da imagem de Jair Bolsonaro quanto querem fazer crer os aliados do governador de São Paulo. Se o tucano for candidato em 2022 contra um presidente forte na busca da reeleição, será cobrado pela direita e adoradores do “capitão” por tê-lo “traído”. No cenário com Bolsonaro inviável eleitoralmente, a centro-esquerda fustigará o governador por ter ajudado a eleger o então candidato do PSL em 2018. Para analistas, se não for bem executado, o movimento dará ideia de incoerência.

Mapa da mina. O diagnóstico, feito à Coluna por políticos e analistas, aponta o centro como o melhor caminho para Doria rumo a 2022. O tucano terá de manter distância segura dos arroubos do bolsonarismo, porém sem deixar de apoiar o que for favorável ao País.

Calma. Em sua quinta visita à Assembleia-SP em sete meses de governo, João Doria tentou tranquilizar a “bancada da bala”, coalhada de deputados bolsonaristas. Disse que o aumento no salário dos policiais será anunciado ainda este ano.

Talquei. Generais e coronéis da reserva aprovaram as mudanças promovidas por Bolsonaro na Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Acharam, apenas, que o presidente poderia ter tido um pouco mais de timing.

Virada. Um general concorda que o movimento feito por Jair Bolsonaro, de certa forma, é o mesmo que o PT fez em seus governos, “mas com sinal trocado”.

Não precisava. O sentimento entre militares sobre as declarações de Bolsonaro a respeito de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, é de que elas foram “inoportunas”.

À mesa. Em encontro recente de generais e coronéis da reserva, com a presença do comandante do Exército, general Pujol, todos lamentaram a entrada de Bolsonaro nessa temática, apesar de concordarem que Felipe Santa Cruz faz militância “de esquerda”.

Aprenda. Para um dos presentes no encontro, Bolsonaro precisa entender que não dá para entrar em bola dividida sem chance de gol. É se machucar à toa.

CLICK. Jair Bolsonaro resgatou, na cerimônia de lançamento do programa Médicos do Brasil, a “colinha” da campanha. Escreveu na mão: “Deus”, “Família” e “Brasil”.

FOTO: MARIANA DI PIETRO

Ninguém… A articulação do governo quer juntar Baleia Rossi, Luiz Carlos Hauly e Marcos Cintra para azeitar ao máximo as propostas deles de reforma tributária. O projeto dos governadores, no way.

…solta a mão… O governo ensaia aproximar o trio até porque sabe que o Congresso aprovará o que quiser e que hoje a proposta com mais força é a do deputado Baleia. Assim, o melhor dos cenários é o do projeto feito em conjunto.

…de ninguém. O grande desafio será mesmo o controle de egos. Todo mundo quer ser o pai da proposta.

Prefeita não? Joice Hasselmann tem sido tão tietada que o estafe dela brinca: se recebesse por selfie, a deputada estaria milionária. Ontem no Planalto foi chamada de “senadora” e “governadora” por dois fãs.

SINAIS PARTICULARES
Joice Hasselmann, líder do governo no Congresso (PSL-SP)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Conjuntura. Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Ricardo Coutinho (PSB, ex-governador da Paraíba) conversaram recentemente sobre 2020. “A ideia é que a gente compreenda o momento atípico e que é preciso unir as forças”, disse Coutinho.

PRONTO, FALEI!

Orlando Silva. FOTO: ALEX SILVA/ESTADÃO

Orlando Silva, deputado federal (PCdoB-SP): “Medida acertada. Moro não pode usar a PF para esconder possíveis provas de graves denúncias contra ele”, sobre o STF proibir a destruição de mensagens.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RICARDO GALHARDO

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