O centro e a tentação de demonizar adversários

O centro e a tentação de demonizar adversários

Coluna do Estadão

01 de dezembro de 2020 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

As repercussões da eleição municipal preocupam analistas acurados: ao contrário do que está sendo propagado, elas podem, sem perceber, açular apetites pelos extremos se criarem uma luta santa contra “o fascista”, “negacionista” e “obscurantista” Jair Bolsonaro. No limite, embates do “bem contra o mal” produzem “exércitos santos” que só reavivam radicalismos e favorecem os… radicais, como o próprio Bolsonaro e o Lula do pós-prisão. Parte do discurso da vitória do “moderado” Bruno Covas, por exemplo, foi nesse tom de demonizar oponentes.

Uau. Ao usar os termos “negacionismo” e “obscurantismo”, Covas surpreendeu gente no próprio PSDB, mas agradou a João Doria, que estava a seu lado e quer se firmar como antítese de Bolsonaro.

Deu. A questão é: muita gente está cansada de radicalismo e quer desarmar ânimos para melhorar o ambiente econômico. Ademais, o papel de demonizar Bolsonaro já tem dono: é do PT, PSOL e PCdoB.

Difícil. Para os analistas e também alguns tucanos, Doria na centro-direita assim como Ciro Gomes (PDT) na centro-esquerda terão muitas dificuldades em encarnar a moderação numa eventual campanha presidencial em 2022.

PS. Segundo tucanos, Bruno Covas discursou em tom de desabafo por causa do duro enfrentamento da pandemia na capital e não se dirigiu especificamente a nenhum adversário.

Vício de origem? Astuto observador e conhecedor das narrativas eleitorais está muito intrigado: como Luciano Huck continuará vendendo a imagem de “novo”, de “renovação”, se resolver ser candidato pelo DEM, o antigo PFL?

De lavada. O PSDB paulista consolidou seu protagonismo nacional com os resultados do segundo turno. O diretório estadual governará nos municípios quase 67% do total de brasileiros sob administração do partido em todo o País.

De lavada 2. “Resultados históricos sob a liderança do governador João Doria. Representa, antes de mais nada, a renovação do partido”, diz Marco Vinholi, presidente do PSDB-SP.

Plural. Após ter contratado o primeiro parecer de Sérgio Moro para uma disputa com a Vale, o empresário Beny Steinmetz pediu, agora, um de Pedro Serrano, renhido adversário do ex-juiz da Lava Jato.

Xi… A admissão de Moro pela consultoria americana A&M, que atua no processo de recuperação da Odebrecht, produziu paradoxo para quem, como ele, condenou a “mercantilização da fé pública”, dizem advogados. O ex-juiz nega haver conflito de interesse.

CLICK. Depois de perder com Boulos (PSOL) em SP, Tabata Amaral (PDT) viajou para o Recife para acompanhar a vitória de João Campos (PSB), seu namorado.

Reprodução/Instagram

Teste. Michel Temer fez o teste da covid-19 e aguarda, em isolamento, o resultado. No domingo, visitou seu irmão Tito no hospital que, horas depois, testou positivo para o coronavírus. Temer não apresentava sintomas até ontem à noite.

Teste 2. O ex-presidente, de 80 anos, cancelou viagem que faria com Jair Bolsonaro hoje ao Paraguai. Ele acompanharia a comitiva que visitará as obras da Ponte da Integração, iniciadas ainda na gestão Temer.

Realidade virtual. Com quais óculos Gleisi Hoffmann viu o PT bem na fita das eleições deste ano?

SINAIS PARTICULARES.
Gleisi Hoffmann, presidente do PT e deputada federal (PR)

Ilustração: Kleber Sales

PRONTO, FALEI! 

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Priscila Cruz, presidente executiva do Todos Pela Educação: “Será que agora, com as eleições finalizadas, podemos ter uma conversa racional e preocupada com os alunos mais pobres sobre retorno das aulas presenciais e o que precisa ser feito do ponto de vista educacional/pedagógico, tecnológico, sanitário, alimentar e de saúde mental?”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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