Qual o caminho de Bolsonaro até 2022: pelos sertões ou pela Faria Lima?

Qual o caminho de Bolsonaro até 2022: pelos sertões ou pela Faria Lima?

Coluna do Estadão

13 de agosto de 2020 | 05h00

FOTO GABRIELA BILO / ESTADAO

Paulo Guedes antecipou e colocou na ordem do dia uma angústia que Jair Bolsonaro planejava enfrentar somente adiante: o caminho mais seguro rumo à reeleição ainda passa prioritariamente pela Avenida Faria Lima (SP) ou mudou de rota e seguirá pelo sertão do Nordeste? Apesar do apoio público demonstrado pelo presidente ontem às demandas do ministro da Economia, nos bastidores a aposta é de que Bolsonaro não está disposto a largar o volante do jipe no “Rally dos Sertões”. Por isso, a forte sensação de que ele terá de ir além da retórica.

Desenhando. “O eleitor que queria uma política mais liberal já está, em grande parte, decepcionado com Bolsonaro e, por isso, ele já não tem mais diálogo com esse público. Então, tem focado no eleitor de baixa renda”, analisa o sócio da consultoria Instituto Travessia, Bruno Soller.

Dinheirinho. Guedes prometeu aos ministros Rogério Marinho e Tarcísio Freitas a liberação de R$ 5 bilhões para obras neste ano. Foi uma solução para não entrar novamente em conflito com a ala desenvolvimentista do governo e para não correr o risco de furar o teto de gastos públicos.

Agora vai. Na reunião de Bolsonaro com ministros e a cúpula do Congresso ontem, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre prometeu botar para andar o pacto federativo do Senado. As medidas viabilizarão parte da regulamentação dos gatilhos do teto de gastos.

Para bom entendedor… Rogério Marinho chegou atrasado ao encontro. Quando entrou, Bolsonaro fez questão de puxar uma cadeira para ele ao seu lado. Paulo Guedes sentou do outro lado da sala.

Divisória. Guedes também “riscou” o chão ao deixar claro que ultrapassar a linha da responsabilidade com gastos pode terminar em impeachment.

SINAIS PARTICULARES.
Paulo Guedes, ministro da Economia

Ilustração: Kleber Sales

Escolha de… Um experiente político diz que, se a eleição presidencial fosse ainda este ano, Bolsonaro estaria reeleito com a escolha do sertão como via.

…Jair. O problema é que faltam mais de dois anos, e uma gastança agora pode explodir a economia a tal ponto que comprometa sua reeleição em 2022.

Pode ser. Parlamentares e membros do mercado financeiro acompanham com cautela os nomes para a sucessão dos ex-secretários Salim Mattar e Paulo Uebel: se forem Martha Seiller e Wagner Lenhart, por exemplo, que já atuam na pasta, será um sinal de que, apesar de tudo, a agenda liberal deve seguir.

Aí, não. O maior temor é que o Centrão cresça o olho nas secretarias, em especial na de Mattar. As privatizações e nomeações de conselheiros de estatais têm um lugar especial no coração de dirigentes do grupo.

So long, goodbye. Em meio ao burburinho de uma maior debandada na Economia, um vídeo do secretário Carlos da Costa (Produtividade) com um balanço da sua gestão circulou entre os servidores da pasta ontem. Ele foi interpretado como mais uma sinalização de que Costa pode, em breve, integrar o grupo que abandonou o barco de Guedes

Teste… Empresários gostariam de ver a privatização da Eletrobrás andar, como um gesto à agenda liberal, mas as chances de o projeto são baixas. Davi Alcolumbre já avisou que ela não passa no Senado, mais da metade dos senadores seriam contrários à ideia.

… de fogo. Tiago Mitraud (Novo-MG), mais alinhado a Guedes que os próprios líderes de governo, concorda: “Essa aproximação com o Centrão ainda não vi fazer nada andar de interesse do governo, em especial da Economia. O projeto da Eletrobrás seria um gesto importante”.

CLICK. Guilherme Braga de Oliveira Alves, pesquisador da Casa Fluminense, participou de debate sobre desigualdade socioespacial no Summit Mobilidade, do ‘Estadão’.

Cidades 21

Bora? Até Dias Toffoli, mesmo do hospital, falou com o grupo de CEOs para tratar do meio ambiente. Falta só Augusto Aras e Davi Alcolumbre abrirem um espaço nas agendas.

Ladies first. O MDB aumentará investimentos em candidaturas femininas. Elas terão 37% dos recursos, bem mais que os 30% exigidos pela lei. O partido inovou e também dará uma força à renovação. Separou 1% para os candidatos com menos de 35 anos.

PRONTO, FALEI! 

Foto: Ed Ferreira/Estadão

Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB: “Entre o PT e o Brasil, o PT sempre ficou consigo mesmo, é o vetor da divisão na esquerda. Não estaremos com ele em lugar nenhum nestas eleições.”

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COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU PEDRO VENCESLAU.

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