‘Nossa prioridade será a agenda econômica’, diz Maia

‘Nossa prioridade será a agenda econômica’, diz Maia

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Marcelo de Moraes

25 de julho de 2016 | 05h30

Ilustração: Kléber Salles

Numa inesperada reviravolta política, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) acabou conseguindo ser eleito presidente da Câmara no caos político formado depois da queda do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Alinhado com o presidente em exercício Michel Temer, Maia prega a pacificação da Câmara mas tem objetivo maior, alinhado com o Palácio do Planalto. Quer garantir a aprovação da agenda econômica, proposta pelo governo, e minimizar os efeitos da crise. E, se possível, colher os frutos políticos do trabalho para popularizar o DEM.

Economia
A agenda econômica é a nossa grande prioridade. Você tem a possibilidade de votar a renegociação da dívida dos Estados e novas regras para o Pré-sal. São assuntos importantes para o País e importantes para os Estados. Dá sinalização significativa para a sociedade. Mas podemos construir outras agendas, desde que sejam consensuais.

Mandato tampão.
O período de mandato é curto mas será importante que num momento de crise, como esse, eu possa colaborar para criar um ambiente de pacificação dos ânimos e de superação dessa crise do Brasil.

Relação com o Centrão
Dá para conversar e construir um trabalho com toda a base do governo. Inclusive com o Centrão. Porque eles são da base do governo. Dá para construir um caminho possível de entendimento entre todo mundo.

Bandeira
Quero pacificar a Câmara. Mas também preciso melhorar a relação com o Senado e com o Poder Executivo. Temos conversado para acabar com o que acontece hoje, quando matérias que eram discutidas na Câmara e no Senado caíam num limbo depois de serem aprovadas em cada Casa. Pior do que ir e voltar, por conta de alterações que alguma das Casas faça, é ser aprovado numa delas e parar.

Eduardo Cunha
Não dá para avaliar o quanto de influência política ele mantém nesse momento. Mas não acredito que ele tenha condição de atrapalhar as votações na Câmara.
Aliança com Cunha
A gente teve uma aliança que ajudou a elegê-lo e a derrotar o PT. Depois, deu espaço para mim e para o meu partido, nos dando matérias para relatar. Ele cumpriu esses acordos. Mas nossa relação era apenas essa. Uma aliança tática.

Rompimento

No momento em que houve disputa por espaço, ficou claro que ele tinha um núcleo dele e priorizou, de forma legítima, indicar alguém do grupo dele para a liderança do governo na Câmara (deputado André Moura) no meu lugar. Hoje, estamos afastados, sem dúvida.

Cassação
O plenário vai decidir seu futuro e, na hora certa, vamos julgar. A situação dele é muito ruim. O resultado da Comissão de Constituição e Justiça sinaliza que ele deverá ser cassado.

Maior peso do DEM
Vou cumprir meu papel como presidente da Câmara. Se puder colaborar com o partido, ótimo. Mas não vou priorizar. Até porque fui eleito com 285 votos e o DEM tem apenas 28 nessa conta. Mas é importante para qualquer partido presidir a Câmara dos Deputados. Para o DEM, obviamente, também é.

Educação aparelhada
O ministro Mendonça Filho (DEM) diz que lá é a pasta mais aparelhada pelo PT. Se ele diz, eu acredito. Mas dá para desaparelhar. Ele está construindo uma estrutura com quadros técnicos e de boa qualidade. Com isso, você consegue diminuir o aparelhamento petista no ministério.

Voto conservador
Tem um voto conservador para ser conquistado em 2018. Acho que nos últimos anos faltou um candidato com esse perfil. O caminho está aberto para o DEM. É só nosso partido ter competência para isso.

Volta de Dilma
Acho muito difícil. Não estou vendo caminho.

Parceria com a esquerda
Sempre tivemos lado e cumprimos os nossos acordos. Ficou mais previsível pra eles comigo na Presidência da Câmara.

ENTREVISTA A MARCELO DE MORAES

 

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