No Brasil polarizado, ricos ‘seguram’ Bolsonaro, diz levantamento

No Brasil polarizado, ricos ‘seguram’ Bolsonaro, diz levantamento

Alberto Bombig e Matheus Lara

04 de agosto de 2021 | 05h00

Carreata a favor de Bolsonaro em Brasília, em maio de 2020. Foto: Evaristo Sá/AFP

Enquanto a polarização campeia solta, Jair Bolsonaro inicia este agosto historicamente fatídico na política brasileira com algum alento. O presidente, com a ajuda dos mais ricos, parece ter estancado o processo contínuo de perda de popularidade, que alguns analistas chegaram a classificar como “derretimento”. O grande desafio de Bolsonaro, porém, persiste no Planalto: a rejeição permanece alta entre os mais pobres. Essa é uma das conclusões da mais recente pesquisa da consultoria Quaest, feita em parceria com a Genial Investimentos.

Dados. Avaliação do governo Bolsonaro não mudou no último mês, mostra segunda rodada da Genial/Quaest: 26% avaliam positivamente a gestão e 44%, negativamente. Mas esse quadro se alterou.

Efeito Lula? De um lado, aumentou a rejeição ao governo entre os mais pobres e diminuiu no estrato de renda alta, que voltou a apoiar o presidente, talvez por conta da ausência de uma “terceira via” consolidada de centro-direita.

Crise. Como os mais ricos são numericamente menores, o efeito na avaliação geral é marginal. O desafio de Bolsonaro continua sendo reconquistar os mais pobres e isso, claro, só acontece se o governo convencer mais gente de que a economia vai melhorar. A pesquisa completa será divulgada nesta quarta-feira, 4.

Ataques. A resposta do TSE a Bolsonaro não foi apenas um basta nas ameaças e ataques. Em conversas reservadas, ministros do STF dizem temer ser agredidos por apoiadores fanáticos do presidente. O clima na Corte é de preocupação e revolta.

Tá… Para quem cobra de Hamilton Mourão maior presença pública, o vice começa a voltar a sair da toca. Nesta quarta, 4, às 18h, ele discute os desafios do Brasil a convite do grupo Personalidades em Foco, do empresário Paulo Zottolo.

…na área. O evento com o vice, realizado pelo Zoom por causa da pandemia, será transmitido ao vivo no YouTube do grupo do ex-presidente da Nivea.

SINAIS PARTICULARES

Hamilton Mourão, vice-presidente da República

Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Ordem na casa. Flávia Arruda (Secretaria de Governo) comandou reunião com líderes para organizar demandas deste semestre do Congresso. Entre os presentes, Cidadania, PSDB, PSD, PTB, PDT, DEM, Patriota, PP, PL. A ideia é otimizar atendimentos e agilizar as reivindicações.

O novo ministro Ciro Nogueira (em pé, à direita de Flávia Arruda) deu uma passadinha rápida em reunião de líderes no Planalto só pra cumprimentar os deputados.

Esquecida. Editada em março, a medida provisória 1.040/2021, que promete melhorar o ambiente de negócios no País, pode caducar se não for votada até amanhã. O texto foi aprovado em 30 de junho na Câmara e está na fila no Senado Federal.

Lembrados. Um dos pontos polêmicos e que pode fazer o texto voltar para a Câmara dos Deputados é a revogação do piso salarial de profissionais de Agronomia, Arquitetura, Engenharia, Química e Veterinária.

Poxa. Na avaliação do relator da proposta na Câmara, Marco Bertaiolli (PSD-SP), esse é um dos pontos que podem explicar a demora. “O Senado demorou muito. Mas tenho confiança de que os senadores irão evitar que o trabalho seja perdido.”

PRONTO, FALEI!

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

“É triste quando se usa a fé para fazer lobby e negócios. Depoimento do reverendo Amilton faz instrumentalização da religião com objetivos políticos.”

Eliziane Gama, senadora (Cidadania-MA), na CPI da Covid

 

REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

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