No bolsonarismo, Onyx ainda é um ‘intruso’

No bolsonarismo, Onyx ainda é um ‘intruso’

Coluna do Estadão

01 de fevereiro de 2020 | 05h00

Ministro Onyx Lorenzoni. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Das alternativas colocadas à mesa para Onyx Lorenzoni, uma foi considerada humilhante pelo chefe da Casa Civil: voltar para a Câmara como líder. Ele sabe que se tornaria um entre os 513 e tem plena consciência da mágoa de centenas de parlamentares quanto a sua empáfia e distanciamento desde a chegada à Esplanada. Sem respaldo total do Legislativo, Onyx busca guarida no núcleo ideológico. Ele, porém, nunca caiu nas graças do “bolsonarismo raiz”, visto por muitos como intruso do DEM de Maia e Alcolumbre mimetizado de nova política.

Famiglia. A costura para a ida de Onyx para o Ministério da Educação, como mostrou o blog da Coluna, esbarra na predileção do clã Bolsonaro por Abraham Weintraub, o atual titular.

Famiglia 2. Apesar de ter chegado ao MEC por indicação de Onyx, Weintraub, que se referia carinhosamente ao ministro como “fratello”, hoje está muito mais irmão de Carlos, Eduardo e Flávio.

Fritadeira. Circulam no Planalto a relação e o custo das viagens de Vicente Santini, ex-secretário executivo da Casa Civil, demitido, readmitido e demitido de novo. Ficou com a fama de “Marco Polo do governo”.

Fritadeira 2. O motivo das viagens nem sempre tinha relação direta com o cargo que Santini ocupava na Casa Civil, dizem auxiliares do presidente.

Espiadinha. Os últimos e instáveis dias no Planalto suscitaram uma brincadeira interna: a Casa Civil se tornou a casa do BBB e Onyx Lorenzoni foi escolhido para formar o paredão.

SINAIS PARTICULARES. 
Onyx Lorezoni, ministro-chefe da Casa Civil

Ilustração: Kleber Sales

O tamanho… A mais recente pesquisa Barômetro do Poder, realizada pelo site InfoMoney, dimensiona a dificuldade da articulação política do governo e mostra que, para 64% dos analistas consultados, as eleições municipais terão alto impacto sobre a relação de Jair Bolsonaro com o Congresso.

…da encrenca. As estimativas para a base do governo Bolsonaro no Congresso chegaram ao menor patamar da série: apenas 89 deputados e 16 senadores fiéis ao presidente. A pesquisa ouviu dez casas de análise de risco político e quatro analistas independentes.

Vamos… Edinho Silva (PT), prefeito de Araraquara (SP), participou como convidado da reunião do governador João Doria (PSDB) com o secretariado.

…conversar? “Neste momento da vida brasileira, sentar com os diferentes e dialogar é um imenso gesto”, afirma Edinho.

Mas não em Brasília. Enquanto isso, Jair Bolsonaro permanece refratário a qualquer possibilidade de diálogo com toda a oposição. Doria vem procurando delimitar suas diferenças em relação ao presidente.

CLICK. Jair Bolsonaro tem na sua mesa o livro ‘A Verdade Sufocada’, biografia do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-CODI na ditadura militar.

DIVULGAÇÃO/MARCOS CORRÊA/PR

Caiu… Antonio Anastasia levou um susto na noite da terça-feira. Estava em um restaurante na Praça Marília de Dirceu, no bairro de Lourdes, área nobre de Belo Horizonte, fortemente atingida pelas chuvas.

…o mundo. A água invadiu o restaurante quando o senador discutia a data para deixar o PSDB e se transferir para o PSD, partido do prefeito Alexandre Kalil, criticado por moradores da periferia por privilegiar os bairros nobres, como Lourdes, na recuperação da cidade.

BOMBOU NAS REDES!

Carla Zambelli, deputada federal (PSL-SP): “O PC do B vai esconder o “comunista” e apresentar-se como “Movimento 65” nas eleições de 2020. Se comunismo fosse bom, não precisaria fazer isso.”

COM MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU MATEUS VARGAS.

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