No aperto, Bolsonaro volta a evocar Ustra

No aperto, Bolsonaro volta a evocar Ustra

Coluna do Estadão

22 de dezembro de 2020 | 05h00

Foto: Reprodução/Youtube

Jair Bolsonaro empreendeu esforço evidente para desviar o foco do noticiário da tragédia federal no enfrentamento à covid-19, da lentidão na vacinação e do suposto uso da Abin e de outras estruturas de Estado em prol de seu filho Flávio. Totalmente alinhado com a estratégia explicitada pelo americano Steve Bannon no início do governo Trump, de ocupar a imprensa com polêmicas, o presidente foi ativo no fim de semana. Primeiro, criticou a “pressa” por vacinas. Depois, jogou carta mais alta, porém manjada: elogiou o torturador Brilhante Ustra.

Deu certo? Para analistas e comunicólogos, apesar de desgastada, a estratégia ainda serve para explicar os bons índices de avaliação do governo Bolsonaro nas mais recentes pesquisas.

Como funciona. As polêmicas ideológicas (muitas delas falsas) mantêm o engajamento da base radical de apoiadores. Além, é claro, de ocupar parte do noticiário e, portanto, dividir espaço com as notícias desagradáveis ao presidente.

Já vi… Apesar de Jair Bolsonaro não ter nos seus planos a restrição de voos do Reino Unido, o presidente do Consórcio do Nordeste, Wellington Dias (PT-PI), faz um apelo para que o governo federal mude de entendimento.

…esse filme. “Somos favoráveis à imediata restrição de voos saindo ou com passagem pelo Reino Unido. Não podemos cometer o mesmo erro do carnaval de 2020 e atraso (em medidas restritivas) do início do ano”, afirmou Dias.

Barrados. Diante da identificação de uma mutação do coronavírus no Reino Unido, ao menos 40 países já adotaram restrições a viajantes da “terra da rainha”.

A pandemia… A Coluna inicia hoje sua retrospectiva dos fatos marcantes da política neste “ano do coronavírus”, conforme a visão de nossa equipe e no traço de Kleber Sales.

…em ilustrações. No início de março, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ensinava a todos em Brasília o “cumprimento do coronavírus”: mãos afastadas, dar apenas dois toques com o bico de seu sapato no do interlocutor. Era só o começo…

SINAIS PARTICULARES.
Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde

Ilustração: Kleber Sales

Ei! O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) pediu ao STF para entrar como “amicus curiae” no processo em que o ministro Nunes Marques suspendeu trecho da Lei da Ficha Limpa reduziu o período de inelegibilidade de políticos condenados criminalmente. Na prática, a decisão do magistrado liberou o caminho de candidatos que concorreram nas eleições municipais de 2020, mas tiveram o registro barrado pela Justiça Eleitoral devido à legislação.

Caminho. “Uma liminar nesse sentido é muito estranho e muito ruim. Vai acabar trazendo mais insegurança jurídica. O PDT, que ajuizou a ação, deveria ter discutido a questão no Congresso, mas acho que falta coragem”, disse o diretor do MCCE, Luciano Santos.

Help! O ativista solicitou uma audiência com o presidente da Corte, Luiz Fux. A expectativa é de que o ministro derrube a decisão de Nunes Marques.

CLICK. De folga no litoral de SC, Jair Bolsonaro (à dir.) jantou com aliados, ministros e até com Luciano Hang (à esq.), investigado no inquérito de fake news do STF.

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De olho. O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, espera uma decisão do Supremo ainda durante o recesso a respeito da suspensão do juiz de garantias. “Confiamos que o STF, até em respeito ao Congresso, determine a sua implementação”, disse.

Mais perto. A OCDE formalizou a adesão do Brasil aos documentos do Acervo Legal do Comitê de Políticas do Consumidor. Com isso, o País completa a adesão a 98 dos 245 instrumentos legais da organização. Para a secretária nacional do consumidor, Juliana Domingues, a questão demonstra o compromisso do governo brasileiro com a implementação de políticas de proteção ao consumidor, inclusive de proteção transnacional.

PRONTO, FALEI!

Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Salim Mattar, ex-secretário de Desestatização de Jair Bolsonaro: “Cidadãos de primeira categoria vivem num mundo à parte às custas do cidadão de segunda categoria, o pagador de impostos”, sobre aumento de salário para prefeito e secretários de São Paulo.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU DANIEL WETERMANN.

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