No 2º turno, desafio de Bolsonaro é calar vice

No 2º turno, desafio de Bolsonaro é calar vice

Coluna do Estadão

08 Outubro 2018 | 05h30

Jair Bolsonaro, Levy Fidelix e Hamilton Mourão – Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo

A campanha de Jair Bolsonaro (PSL) enxerga como um desafio para o 2.º turno controlar seu candidato a vice, general Hamilton Mourão (PRTB). A estratégia é isolá-lo e vendê-lo como alguém folclórico, uma vez que ele é considerado fora de controle e que de nada adiantaram os pedidos para que parasse com as declarações polêmicas. O problema é como fazer isso sem passar a impressão de que, se eleito, Bolsonaro já chega tendo problemas com o vice, munição certa para o seu adversário, Fernando Haddad (PT). Militares entrarão em campo para ajudar na tarefa.

Língua solta. No primeiro turno, Mourão já disse que o 13.º salário é uma jabuticaba, que o neto é bonito por representar o “branqueamento da raça” e que o “Brasil herdou indolência dos indígenas e malandragem dos africanos”.

Acabou a paciência. Em conversas com seu círculo mais íntimo, Bolsonaro demonstra que perdeu a paciência com o vice, a quem já chama na intimidade de “imbecil”, segundo dois interlotures, e diz não entender a razão de o general insistir em polemizar.

Tá liberado. A equipe médica do Hospital Albert Einstein que atende Bolsonaro não vê empecilhos para que ele participe de debates na TV no 2.º turno. Ele será reavaliado esta semana e deve receber alta do home care.

Nova camisa. No 2.º turno, Bolsonaro vai mudar o discurso e dizer que só ele poderá reconciliar o País. Os ataques mais pesados ficarão por conta da sua militância nas redes sociais.

Campanha do medo. O PT vai se valer de estratégia já conhecida do partido para tentar derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno: com foco no eleitor das classes C, D e E, vai insistir que Bolsonaro vai tirar direitos do trabalhador e acabar com programas sociais.

Agora é guerra. Além das declarações do vice de Bolsonaro, outro ponto a ser explorado será o voto contrário do presidenciável do PSL à lei que regulamentou a profissão de empregada doméstica.

Travado. Dentro do PT, ainda há críticas à dificuldade de Haddad para se comunicar com o eleitor, o que ele precisará mudar. O partido pedirá reforço das centrais sindicais e movimentos sociais para disseminar a versão de que Bolsonaro está contra o trabalhador.

Fui. Apesar dos esforços da campanha de Bolsonaro, ele não deve receber o apoio de Alvaro Dias (Podemos). A interlocutores, disse que vai desaparecer e para um deles explicou: “Os que querem assassinar esse País que o façam”.

Eu já sabia. Decretada a derrota de Geraldo Alckmin, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) lembrou a aliados que tentou fazer uma autocrítica quando assumiu a presidência do PSDB, mas que foi arrancado do cargo após críticas por ter reconhecido erros do partido.

CLICK. João Doria (PSDB), que disputa com Márcio França (PSB) o segundo turno ao governo de SP, disse à interlocutores que, se eleito, vai  convidar Geraldo Alckmin para compor seu governo. O presidenciável tucano terminou a disputa em quarto lugar.

Vamos conversar? Após a definição de 2.º turno entre Bolsonaro e Haddad, a #FicaTemer ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter mundial. Em grupos de WhastApp circulava o seguinte meme: “Se a gente pedir desculpas, você fica, Temer?”

Chinelada. O deputado federal mais bem votado do Paraná, Sargento Fahur (PSD), se auto-denomina “exterminador de vagabundos” e deu declarações polêmicas ao longo da campanha. “Se você mimar seus filhos, poderá ter que criar seus netos”, dizia.

PRONTO, FALEI! 

SINAIS PARTICULARES: Carlos Marun, ministro da Secretaria de Governo; por Kleber Sales

“Ao abandonar a luta pelo impeachment e as vitórias do Governo Temer o Centro suicidou-se nesta eleição”, DE CARLOS MARUN, MINISTRO DA ARTICULAÇÃO, sobre a divisão dos partidos de Centro na eleição presidencial.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E JULIANA BRAGA

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