‘Não vai ter toma lá, dá cá com os vereadores’, diz Doria

Marcelo de Moraes

10 de outubro de 2016 | 05h30

 

ENTREVISTA/JOÃO DORIA

João Doria, prefeito eleito de São Paulo

Eleito com o discurso de negação da política profissional, o prefeito eleito João Doria (PSDB) terá como um dos seus maiores desafios o relacionamento com a Câmara Municipal. Para aprovar os projetos de interesse da Prefeitura, Doria garante que não aceitará “partilhar a máquina pública”, nem fará o conhecido “toma lá, dá cá”, atendendo a pedidos de cargos e de liberação de recursos em troca de votos dos vereadores. “Não vou trair meu discurso, trair as pessoas que votaram em mim, fatiando a Prefeitura para A, B ou C”, garante Doria.

Vitória no primeiro turno
Sinceramente, não imaginava lá atrás que aconteceria do jeito que aconteceu. Disputar com duas ex-prefeitas, o atual prefeito e o deputado federal mais votado do Brasil não é uma tarefa fácil. Mas nunca perdemos os pés do chão.

Causas da vitória
Primeiro, foi o novo. Ou seja, o não político e, consequentemente, uma figura que não representaria a chamada velha política. Depois, o sentimento antipetista muito forte na capital.

Preconceito dos políticos
Mais do que preconceito, havia muitas dúvidas a respeito de nossa candidatura. Para quem nunca havia disputado uma eleição, era natural que houvesse muitas dúvidas quanto à viabilidade de um não político na maior cidade do País.

PT
No plano nacional, o grande derrotado é o PT. Isso aconteceu pela gestão econômica de debacle, que impôs ao País três anos de recessão e 12 milhões de desempregados. O PT vai ter de reescrever sua história para poder sobreviver depois dessas eleições.

Votos em ninguém
Isso ocorreu no Brasil todo. O mesmo sentimento de dúvida e distanciamento da política. Recado muito claro da opinião pública com referência aos políticos.

Congelamento de tarifa
Quem critica a medida não é a população. Essa aplaude. Achei que não era razoável começar a gestão anunciando aumento de tarifa. Em 2018, poderá ter uma atualização.

São Paulo para investidores
Quero ser um agente propulsor da cidade. Garantir que os investidores que vierem para cá vão ter respeitados seus direitos e terão respeitada a velocidade nas aprovações de obras e de iniciativas que sejam geradoras de emprego.

Burocracia
Tem demais. Excesso de papéis, exigência de documentos. O tráfego disso leva meses na Prefeitura. Quero, ao fim do segundo ano de mandato, ter São Paulo digitalizada. Não ter mais papelzinho ou processo amarrado com barbante.

Guerra fiscal
Seremos ativos. E vamos criar incentivos para setorizar mão de obra. Por exemplo, na Zona Leste e Zona Sul, que são regiões mais carentes, precisamos de geração de emprego.

Toma lá, dá cá.
Não vai haver esse tipo de comportamento nessa gestão. O meu sentimento é que os vereadores também estão preocupados em não fazer esse papel da velha política. O toma lá, dá cá comigo não terá ressonância. Atitudes espúrias ou comportamentos que determinem a partilha da máquina não terá ressonância. Não vou trair meu discurso, trair as pessoas que votaram em mim, fatiando a Prefeitura para a, b ou c.

Alckmin
Minha vitória está pagando dividendos políticos para ele elevadíssimos. Mas ele merece.

Eleição presidencial
Meu candidato se chama Geraldo Alckmin.

Aécio
Gosto dele. Tenho uma boa e constante relação. Mas não acho que seja a hora de anteciparmos ou trabalharmos por candidaturas.

Matarazzo
Não sou divisionista. Não colocaria objeção, caso ele deseje voltar ao PSDB.

Modelo exportação
Gravei para 17 candidatos no segundo turno. Vários pediram que eu usasse exatamente esse mote: fulano de tal é gestor, administrador, trabalhador.

ENTREVISTA A MARCELO DE MORAES

Ilustração: Kleber Sales

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