Na reta final, campanha de Alckmin vai apostar mais em Ana Amélia

Na reta final, campanha de Alckmin vai apostar mais em Ana Amélia

Vera Rosa

18 de setembro de 2018 | 20h33

Em novo movimento para se contrapor à liderança de Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, vai apostar mais na imagem da senadora Ana Amélia (PP-RS), vice em sua chapa. A avaliação da equipe de Alckmin é a de que Ana Amélia precisa ocupar mais espaço na campanha e na propaganda de TV no momento em que o protesto de mulheres contra Bolsonaro vem crescendo nas redes sociais.

A estratégia foi apresentada nesta terça-feira em reunião de Alckmin com dirigentes do Centrão — bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade — e de outros partidos aliados, em São Paulo. O crescente interesse pelas mulheres  tem motivos bem pragmáticos. Elas representam 52% do eleitorado brasileiro e, de acordo com as pesquisas, a maioria ainda não sabe em quem votar.

Cobrado por integrantes de sua coligação, Alckmin concordou em adotar na campanha um discurso mais incisivo, que passe mais indignação com a crise do País e com os “riscos” embutidos nessa disputa. Dirigentes do Centrão avaliam que o tucano tem pouquíssimo tempo para reagir e “quebrar a onda” de crescimento de Bolsonaro. O diagnóstico ali é o de que, se em uma semana o tucano não desconstruir o capitão reformado, o segundo turno será entre ele e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, candidato do PT.

Pelo cronograma de guerra traçado nesta terça, Alckmin centrará a caça aos votos, nos últimos dias, em São Paulo, Estado que governou durante quase quatorze anos. Além disso, entrarão no ar propagandas de TV comparando a trajetória de Bolsonaro à de um aventureiro, que não teria governabilidade para administrar o País. No ataque contra o PT, a ideia é bater na tecla de que quem conhece Haddad não vota nele. Será lembrada a derrota do petista para João Doria — hoje candidato do PSDB ao governo paulista –, no primeiro turno da eleição de 2016.

A portas fechadas, um dos participantes do encontro com Alckmin e o marqueteiro Lula Guimarães disse achar surpreendente que as enormes taxas de aprovação da Operação Lava Jato e do juiz Sérgio Moro não se revertam em repúdio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso em Curitiba. Afilhado político de Lula, Haddad está em ascensão em todas as pesquisas de intenção de voto. (Vera Rosa)