Na esteira dos panelaços, o PT e as narrativas oportunistas

Na esteira dos panelaços, o PT e as narrativas oportunistas

Coluna do Estadão

20 de março de 2020 | 05h00

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Os panelaços contra Jair Bolsonaro assanharam a oposição petista a produzir e difundir suas já famosas “narrativas”. Vídeo compartilhado por Gleisi Hoffmann resume a construção em curso: para valorizar Dilma Rousseff, culpa Aécio, Cunha, Temer e Bolsonaro pela crise atual; diz ainda que o “ódio” que divide o País desde 2014 vem de um lado só, o dos adversários do PT, claro. Em outra peça, ainda mais oportunista, a debacle de Adolf Hitler é usada para relacionar a pandemia do coronavírus ao impeachment e pintar o PT como salvador da pátria.

Digital. Como quase tudo a orbitar na luta política via internet, a autoria das peças é mistério. Porém, a produção coincide com a mudança no comando da comunicação do PT, agora sob liderança de Jilmar Tatto. O estilo, diz quem o conhece, é inconfundível.

Xi… A peça compartilhada por Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e também pela ex-presidente Dilma no Twitter desagradou a setores do partido: enxergaram precipitação e oportunismo. O País, afinal, atravessa momento difícil.

CLICK. Em tempos de pandemia, vídeo compartilhado por petistas nas redes sociais pede a quem apoia Jair Bolsonaro para parar de “espalhar” fake news.

Divulgação

Se liga, Jair. O Planalto sentiu o baque dos panelaços espontâneos. Diz um palaciano: o presidente precisa entender que o PT e a esquerda, neste momento, não são os inimigos que metem medo na classe média. Agora, ele atende pelo nome de coronavírus.

Não engana. Líderes do Centrão afirmam já ter desistido de uma mudança de postura por parte do presidente. Avaliam que ele pode até soar mais técnico e menos combativo neste momento, mas acreditam que a postura beligerante voltará a dar o tom.

Foi longe. Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, o presidente cruzou a linha do tensionamento, característico do seu modus operandi, quando minimizou os efeitos da pandemia do coronavírus. “O coronavírus evidenciou a ação ou a falta de ação do governo.”

Detalhes. Na nota em que Ernesto Araújo se posiciona sobre o ataque de Eduardo Bolsonaro à China, não passou despercebido por diplomatas o uso do Brasão da República. Não é o layout normalmente utilizado pelo Itamaraty, dizem, mas sim pelo Planalto.

De olho. A demanda de artistas por uma resposta de Regina Duarte à quebradeira na cultura, por conta da covid-19, chega diretamente via WhatsApp. Como ela é do meio, seu número de celular é amplamente conhecido.

SINAIS PARTICULARES
Regina Duarte, secretária nacional de Cultura

Ilustração: Kleber Sales

Tatu… Enquanto as atenções estão voltadas para a covid-19, o Congresso aprovou na noite de anteontem dois jabutis na MP do Contribuinte Legal, ambos apresentados pelo PP.

…subiu… Um deles trata de bônus de até 80% por produtividade a analistas e auditores fiscais, o que já existe, mas foi considerado irregular pelo TCU. A manobra foi tão ligeira que nem na Economia há entendimento sobre o saldo final.

…no tronco. O governo não tem como barganhar: precisa da aprovação da MP (caduca dia 25). Aliados apostam que Bolsonaro vetará o trecho. O segundo jabuti muda a regra nas deliberações do Carf: no caso de empate, a decisão será a favor do contribuinte. Paulo Guedes é favorável a esta medida.

Fora. Marcelo Ramos (PL-AM), que viajou com Alcolumbre, está bem, mas se impôs isolamento total.

PRONTO, FALEI!

Divulgação/Facebook

José Luiz Penna, presidente do PV: “O dilema a partir de agora é se vamos para o impeachment ou se esperamos a gestão Bolsonaro sangrar politicamente até o fim do desgoverno.”

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