Na crise, Temer faz até reunião social no Jaburu

Andreza Matais

27 de maio de 2017 | 14h34

Michel Temer, por kleber Sales

O presidente Michel Temer recebeu nesta sábado, no Palácio do Jaburu, políticos do seu núcleo de apoio. Segundo um ministro que estava presente, não foi uma reunião, mas um “encontro social”.

Desde que assumiu o mandato, há um ano, Temer tem o hábito de se reunir com seus principais interlocutores nos finais de semana. O assunto é que mudou depois da delação do Joesley Batista, que pode levá-lo a perder o mandato.

Temer é alvo de inquérito aberto pelo STF em decorrência de acusações feitas a ele pelo empresário que o acusa de suposto crime de corrupção.

O PSDB, principal aliado de Temer depois do PMDB, ensaia desembarcar do governo se o TSE decidir no dia 6 de junho cassar a chapa Dilma-Temer por uso de caixa 2 na campanha de 2014. Se a decisão for nesse sentido, Temer ainda pode recorrer no cargo, mas politicamente ficará inviabilizado.

Todos os esforços do presidente, portanto, são para adiar o julgamento do TSE para segurar sua base de apoio.

Tarefa difícil. Até mesmo ministros descrentes de punição ao peemedebista já contabilizam uma derrota de Temer no dia 6. O TSE, diz um ministro da Corte, sabe que vai julgar muito mais do que a chapa.

Até por isso, ministros têm conversado com o Congresso para que também faça a sua parte. Ninguém no TSE está gostando da ideia de assumir sozinho a responsabilidade por cassar mais um presidente.

E ‘fazer sua parte’ pode significar desde ‘cumpram a promessa de abandonar o governo’ caso se confirme a cassação da chapa até convencer Temer a não recorrer da decisão do TSE.

 

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