Mourão ‘marca posição’ com críticas a Araújo

Mourão ‘marca posição’ com críticas a Araújo

Coluna do Estadão

28 de janeiro de 2021 | 05h00

Vice-presidente, general Hamilton Mourão. FOTO: ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

Hamilton Mourão concedeu duas entrevistas importantes em menos de 24 horas e, em uma delas, “demitiu” o chanceler Ernesto Araújo, seu desafeto. O entorno do vice-presidente enxergou movimento dele para “marcar posição” e mostrar, claramente, que Mourão, em alguns casos, discorda de Jair Bolsonaro. Segundo um aliado do general, Mourão é um ativo mal utilizado pelo governo e poderia estar ocupando papel mais importante na busca por estabilidade da gestão de Bolsonaro (se é que o presidente ainda busca algum tipo de estabilidade).

Incógnita? O “marcar posição” de Mourão também pode ser lido de outra forma: a sociedade e os políticos precisam ter ao menos uma ideia de como ele agiria se fosse o presidente.

Aqui! Mourão tem pretensões de disputar o Senado se não for mantido como vice na chapa de Bolsonaro. Visibilidade e posicionamento são importantes.

Quem avisa. O general deixou claro que não participa da tomada de decisão sobre quem deve ou não ser demitido da Esplanada.

Vida real. Governistas admitem que, se Mourão falou que o chanceler será demitido, é mais provável que Bolsonaro mantenha Araújo no cargo. Ainda mais depois dos gritos de “mito” proferidos pelo ministro enquanto o presidente dava mais um show de quebra de decoro.

Meu pirão. O PT baiano está flertando com a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) a presidente da Câmara. O que explica é o cenário estadual, claro: derrotar ACM Neto, presidente do DEM e forte candidato ao governo do Estado.

‘Fearless girl’. Se mantiver a campanha limpa que vem fazendo, Simone Tebet (MDB-MS) sairá maior da disputa pelo comando do Senado qualquer que seja o desfecho da trama: a inédita candidatura de uma mulher deve servir de marco.

SINAIS PARTICULARES.
Simone Tebet, senadora (MDB-MS) e candidata à Presidência do Senado

Ilustração: Kleber Sales

Vixe! Bolsonaristas pressionam extraoficialmente órgãos de controle e membros do governo por “capivaras” do Instituto Butantan. Fizeram coisa semelhante à época da saída de Luiz Henrique Mandetta da Saúde: dossiês e dossiês que não deram em nada.

Brexit. O grupo de empresários interessados em comprar um lote da vacina de Oxford não está preocupado com os europeus, que se queixam da demora na produção e ameaçam proibir todas as exportações.

Brexit 2. Como a negociação é feita diretamente com o Reino Unido, a pressão dos europeus tende a não surtir tanto efeito, avaliam os brasileiros.

Dedos cruzados. Aliás, apesar de não fornecerem detalhes sobre as transações, os empresários estão otimistas: andam dizendo que o contrato com o fundo de investimentos para a compra do lote de doses pode sair em alguns dias.

CLICK. Em 2019, Bolsonaro brigou com Paulo Câmara pela paternidade do 13º do Bolsa Família. Agora, PE terá o segundo ano do benefício. O de Bolsonaro acabou.

Coluna do Estadão

Me… Representantes de seis centrais sindicais pediram ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e a Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato ao comando da Casa, que discutam no Congresso a retomada da exigência de peças nacionais nos carros fabricados no País.

…ajuda aí. A dupla teria prometido analisar o assunto e a crise do setor em audiência pública, que ainda não tem previsão de data.

PRONTO, FALEI!

Fabio Trad. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Fábio Trad, deputado federal (PSD-MS): “Hombridade não se mede pela sujeira do vocabulário, homem (Jair Bolsonaro). Sua postura envergonha o país. Depois do que fez hoje, ministro que permanecer no seu governo mostra que tem o mesmo tamanho da sua mediocridade. Não tem coragem nem de tomar a vacina. Você não respeita o Brasil.”

COM ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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