Moro: longe da milícia e dentro da polarização

Moro: longe da milícia e dentro da polarização

Coluna do Estadão

14 de fevereiro de 2020 | 05h00

Ministro Sérgio Moro. Foto: Eraldo Peres/AP

Analistas e políticos experientes não deixaram de observar com atenção os movimentos de Sérgio Moro nesta semana em que as mudanças na Esplanada e a agenda das reformas lotearam o noticiário. Numa inflexão em sua trajetória, até então contida nas redes sociais, ele bateu de frente com o PSOL. Como Moro não costuma agir sem pensar nem despreza o cálculo estratégico, a leitura é clara: o ministro foi rápido e não hesitou em repelir a (frágil) insinuação de ligação com milícias e ainda aproveitou a chance de polarizar com a esquerda.

Aula. Para seus aliados, Sérgio Moro também mostrou aos colegas de Esplanada quais as brigas contra a oposição devem ser levadas adiante e de que maneira: com fatos e fundamentadas em ações e gestos.

Não… Um dia depois de ter sido chamado de “capanga de miliciano” em comissão da Câmara por Glauber Braga (PSOL-RJ), Moro escreveu no Twitter “que não gosta desse jogo político”.

…gosta? Para, em seguida: “No projeto de lei anticrime propusemos que milícias fossem qualificadas expressamente como organizações criminosas. Propusemos várias outras medidas contra crime organizado. O PSOL, de Freixo/Glauber, foi contra todas elas”.

Búzios. Os “visionários” (e talvez exagerados) já enxergam a polarização que marcará um futuro não muito distante. Em vez de Bolsonaro versus Lula, será Moro contra Marcelo Freixo.

Muy… Para Osmar Terra, não faria sentido assumir uma embaixada, como chegou a ser cogitado pelo governo. Além de ter mandato, ele ficaria mais distante de suas pretensões eleitorais: a eleição para o governo do Rio Grande do Sul.

…amigo. O Planalto avalia dar um prêmio de consolação a Osmar Terra: uma vice-liderança na Câmara.

CLICK. Osmar Terra em sua última agenda como ministro, visitando o programa Criança Feliz em Careiro da Várzea (AM). Ele ficou sabendo da demissão pelo Twitter.

Coluna do Estadão

Vaca amarela. Do deputado Flávio Nogueira (PDT-PI): “Está havendo uma disputa doméstica no governo, entre Paulo Guedes e Abraham Weintraub. Quem ficar calado vencerá”.

Stand by. O Exército decide quem será o substituto de Braga Netto na chefia do Estado-Maior na reunião do Alto-Comando na próxima semana. No mesmo encontro, haverá promoção de um general a quatro estrelas. Geraldo Miotto vai para a reserva em março.

SINAIS PARTICULARES.
Vinicius Poit (Novo-SP), deputado federal

Ilustração: Kleber Sales

Cilada. Vinicius Poit (Novo-SP) teve de esclarecer a colegas que não integra nem integrará qualquer frente suprapartidária de oposição ao governo. Faz sentido: o deputado vota sistematicamente com o governo em todas as pautas econômicas e reformistas.

Cilada 2. A confusão ocorreu porque Poit topou participar de reunião em São Paulo para “debater a democracia”. Saiu antes do fim e foi surpreendido pela notícia de que os organizadores do encontro formaram a frente, farão ato contra Abraham Weintraub e se encontrarão com Flávio Dino (PCdoB-MA).

Cilada 3. “Não existiu isso enquanto estive lá. Se eu soubesse que fariam essa desonestidade, óbvio que nem teria diálogo, muito menos iria a um evento desses. Meu mandato é independente”, diz Poit.

Xi… Quinze dias depois da demissão de José Vicente Santini da Casa Civil, o governo federal ainda não fechou texto sobre mudanças nas regras de utilização de voos da FAB.

PRONTO, FALEI!

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Tiago Mitraud (Novo-MG): “O governo recuou do recuo e irá enviar uma proposta de reforma administrativa. Torço para que a decisão prevaleça. Não podemos mais esperar.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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