Mesmo sob desgaste, MP vence batalha, mas guerra na Câmara deve continuar

Mesmo sob desgaste, MP vence batalha, mas guerra na Câmara deve continuar

Alberto Bombig

21 de outubro de 2021 | 05h00

A despeito da aparente derrota de Arthur Lira (PP-AL) na votação do texto substitutivo da PEC-5, o clima nos bastidores do Ministério Público ainda é de apreensão, especialmente quanto à possibilidade de o presidente da Câmara insistir no texto original que, entre outros pontos, tem por objetivo mudar a composição do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Procuradores eufóricos comemoraram a vitória desta quarta-feira, 20. Os mais realistas, no entanto, sabem que este é um momento de desgaste da instituição, motivado por excessos da Lava Jato e de promoção pessoal de procuradores e promotores. Parte do mundo político (e do jurídico) não quer perder o timing…

Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Régua. Afinal, o placar foi apertado, mesmo com grande mobilização de setores da sociedade civil: faltaram apenas 11 votos para aprovação.

Ruído. Quem defende a PEC acha que houve um erro de comunicação: não se está discutindo o trabalho dos procuradores, mas eventual fiscalização e controle de desvios.

Marco. O futuro do relatório final de Renan Calheiros ainda é incerto, dentro e para além da CPI da Covid. Porém, até no mundo jurídico, o trabalho da comissão já é entendido como um marco na pandemia.

Presente… “A CPI foi importante não apenas para o esclarecimento dos fatos investigados, mas principalmente para estimular o governo federal a agir de forma mais responsável”, diz o advogado criminalista Sérgio Rosenthal.

…e futuro. “Quanto à definição dos crimes a serem atribuídos pela comissão ao presidente da República, trata-se de questão meramente política e que não vincula o Ministério Público”, diz Rosenthal.

Top 10. A CPI pegou a veia de Bolsonaro ao abrir espaço para uma narrativa oposta à que ele tentava emplacar. Ao listar dez crimes cometidos pelo presidente, a comissão jogou no mesmo campo do adversário.

SINAIS PARTICULARES. Jair Bolsonaro, presidente da República. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Você, não. Integrante da velha-guarda do PSDB-SP, Tião Farias entrou com um pedido no diretório paulistano do partido de impugnação da filiação de Joice Hasselmann.

Chegada. Diretórios do PSD foram informados de que o ato de filiação de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, ao partido deverá ser na próxima quarta-feira, 27, em Brasília.

CLICK. Em Porto Alegre, o vereador Roberto Robaina, do PSOL (de camisa vermelha), e colegas se envolveram em troca de socos com manifestantes antivacina na Câmara Municipal.

Pressão. Nada menos do que 11 (podendo chegar a 12) ministros de Jair Bolsonaro pretendem disputar as eleições de 2022, incluindo João Roma (Cidadania). Ou seja, o Auxílio Brasil turbinado há muito tempo deixou de ser estratégico apenas para o presidente.

Pressão 2. Sem contar a enorme quantidade de parlamentares amarrados à indigesta agenda de Bolsonaro, contrária à vacina e pró-armas de fogo. Para esse grupo, turbinar o programa é dever do presidente.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

PRONTO, FALEI!

Henrique Meirelles (PSD), secretário da Fazenda de São Paulo

“Se não for respeitado o limite do aumento das despesas públicas, vamos sair da crise econômica da pandemia e entrar em outra provocada por descontrole fiscal.”

Foto: Divulgação/Governo do Estado

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