Mendonça planeja foco na Segurança Pública

Mendonça planeja foco na Segurança Pública

Coluna do Estadão

01 de setembro de 2020 | 05h00

Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Com quatro meses na Justiça, André Mendonça busca se afastar do episódio do dossiê dos antifascistas e imprimir sua marca no ministério: escolheu apostar em área cara aos bolsonaristas e importante para o País: a Segurança Pública. A interlocutores, o ministro promete empenho redobrado na implementação do sonhado Susp (Sistema Único de Segurança Pública). A escolha do foco ocorre em momento oportuno para Mendonça, que sonha em ser indicado ao Supremo: o combate à corrupção sob Jair Bolsonaro virou um campo minado.

Pisando devagar. Para adversários do presidente, o combate à corrupção no atual governo tem sido seletivo: até agora, mira prioritariamente os inimigos do Planalto e da família.

Para lembrar. Sérgio Moro deixou a Justiça acusando Bolsonaro de “abandonar” a agenda do combate à corrupção: “Me desculpem os seguidores do presidente se essa é uma verdade inconveniente, mas essa agenda contra a corrupção não teve um impulso por parte do presidente da República”, disse o ex-ministro.

Resultados. Desde que André Mendonça assumiu o Ministério da Justiça, foram apreendidas 360 toneladas de drogas, 113% mais do que em um ano do programa de fronteira Vigia.

Resultados 2. O número de policiais nessas operações aumentou de 261 para 697. Na semana passada, houve a maior apreensão de drogas da história do País: 33,3 toneladas de maconha. O ministro chegou a ligar para os policiais responsáveis pela operação para parabenizá-los.

Tradução. O Susp significa o compartilhamento de dados, operações e colaborações nas estruturas federal, estadual e municipal.

Calma. Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que é importante e necessário o fortalecimento do Susp, mas diz: “Deve passar também por esclarecimento dos crimes e melhora na investigação. Sem isso, é só bandeira eleitoral”.

Se liga. Focar na Segurança também é uma forma de Mendonça lutar contra a recriação de um ministério exclusivo para área.

Recordar… Agosto, como diria o provérbio popular, é o mês do desgosto e por ele várias crises passaram: suicídio de Getúlio Vargas, renúncia de Jânio Quadros, morte de Juscelino Kubitscheck, primeira grande manifestação de rua pelo impeachment de de Fernando Collor, morte de Eduardo Campos, e afastamento de Dilma Rouseff.

… é viver. Neste conturbado 2020, apesar dos mais de 120 mil mortos, dos cheques de Fabrício Queiroz a Michelle Bolsonaro e do afastamento de Witzel, agosto não foi tão ruim assim para Jair Bolsonaro.

SINAIS PARTICULARES.

Jair Bolsonaro, presidente da República

Cola… O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) telefonou para o governador em exercício do RJ, Cláudio Castro. Disse que trabalharia pela renovação do regime de recuperação fiscal do Estado.

…em mim. “O Wilson Witzel estava se recusando a reconhecer que o Rio não fez o dever de casa. Parece que o Cláudio vai adotar outra postura, mais humilde, realista e colaborativa”, afirmou à Coluna.

CLICK. Jair Renan Bolsonaro, filho do presidente, se reuniu com o secretário de Cultura, Mário Frias, para tratar de jogos eletrônicos. Oposição viu “nepotismo”.

Reprodução/Instagram

Stop! A menos de três meses das eleições municipais, Jair Bolsonaro pediu ao relator da PEC do Pacto Federativo, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), para tirar do texto a extinção dos municípios pequenos.

Taokey? Segundo relatos, Bolsonaro teria dito que o ponto é muito complicado e poderia atrapalhar o andamento da PEC. O relator, vice-líder do governo no Senado, deve atender ao pedido.

Como é. A medida, que contava com o apoio do ministro Paulo Guedes, prevê a extinção dos municípios com até 5 mil habitantes e arrecadação inferior a 10% da sua receita.

BOMBOU NAS REDES!

Alessandro Molon. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Alessandro Molon, deputado federal (PSB-RJ): “Enquanto aumenta gastos com marketing de seu governo desastroso, Bolsonaro corta orçamento que serviria para tirar o País da crise, como o da Saúde.”

 

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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