Marun pede afastamento do presidente da Comissão de Ética Pública

Naira Trindade

10 de maio de 2017 | 14h36

Foto: André Dusek/Estadão

Presidente da Comissão da Reforma da Previdência, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) vai representar contra Mauro Menezes, presidente da  Comissão de Ética Pública da Presidência, no próprio colegiado. Na peça, que deve ser entregue nesta tarde, 10, Marun alega quebra da violação do sigilo e mudança de postura do presidente após Michel Temer assumir o comando do País, há um ano. “Há incoerência em vários aspectos. Ele mudou de postura entre um governo e outro”, diz Marun.

Outro ponto que Marun pretende questionar na peça é sobre o depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho. Marun diz que o escritório de advocacia que Mauro Menezes é sócio, na Bahia, foi mencionado na delação de Claudio Melo por representar o Sindicato dos Químicos da Bahia.

O presidente da Comissão de Ética, Mauro Menezes, divulgou nota na noite desta quarta-feira defendendo a independência dos membros do colegiado e se defende das acusações de citação na Lava Jato. “Nunca houve qualquer citação ou imputação a mim ou ao escritório de advocacia que integro, seja em depoimentos ou delações de qualquer espécie. A representação do deputado contra mim será processada normalmente para julgamento pela Comissão e julgada livremente pelos demais conselheiros”.  Leia a íntegra da nota: 

A propósito da entrevista coletiva acerca de representação que veio a ser protocolada pelo deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS), na data de hoje, com requerimento de meu afastamento da presidência da Comissão de Ética da Presidência da República (CEP), tenho a declarar o seguinte:

A denúncia apresentada pelo deputado despreza o caráter autônomo da Comissão e a independência de seus membros, que não ocupam cargos remunerados demissíveis.
Cada Conselheiro exerce mandato por tempo determinado, constituído por ato presidencial. Atuo com absoluta isenção na presidência da Comissão, para a qual fui eleito pelos demais Conselheiros.
A Comissão de Ética Pública faz parte de um sistema essencial ao controle interno da administração pública, no âmbito do Poder Executivo Federal. Suas decisões são fundamentadas em normas legais de regulação da conduta das autoridades e não têm caráter político-partidário.
Nunca houve qualquer citação ou imputação a mim ou ao escritório de advocacia que integro, seja em depoimentos ou delações de qualquer espécie.
A representação do deputado contra mim será processada normalmente para julgamento pela Comissão e julgada livremente pelos demais Conselheiros. Prestarei esclarecimentos e, logicamente, não votarei.
Brasília, 10 de maio de 2017.
Mauro de Azevedo Menezes
Presidente da CEP

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