Marcelo Ramos aponta corporativismo do STF

Marcelo Ramos aponta corporativismo do STF

Coluna do Estadão

20 de fevereiro de 2021 | 05h00

Deputado Marcelo Ramos. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

A Câmara referendou a decisão do Supremo, mas a lambança feita por Daniel Silveira (PSL-RJ) deixa mágoas na relação entre Legislativo e Judiciário. “O STF nunca se incomodou com as milhares de pessoas nas redes sociais e no YouTube dizendo dos deputados o mesmo que Silveira disse dos ministros e propondo fechar o Congresso com a mesma veemência que propõe fechar o STF. Admiro e respeito a decisão (unânime) do Supremo (sobre Silveira), mas ela é corporativista”, afirmou à Coluna o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM).

Em termos. Ramos, que é advogado, se diz favorável à cassação de Silveira e votou a favor da prisão, mas “contrariado”. “Os atos do STF são insustentáveis juridicamente, mas justificáveis política e institucionalmente”, afirma ele. Reservadamente, muitos parlamentares concordam com ele.

Joinha. A ideia da comissão de juristas, anunciada por Arthur Lira durante a sessão que analisou a prisão de Silveira, foi do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). A proposta foi apresentada ao presidente do STF, Luiz Fux. Segundo relatos, o ministro curtiu a iniciativa.

Assim… Bolsonaristas aliados de Silveira admitiram, reservadamente, terem ficado decepcionados com a postura que ele apresentou em sua defesa na Câmara. Acharam que ele devia ter mantido o tom crítico ao STF, porém sem ultrapassar limites.

…não. Avaliam que o colega “abaixou a cabeça” tanto para o STF quanto para seus críticos e admitem que essa postura prejudica a narrativa bolsonarista.

Para lembrar. José Dirceu (PT) foi cassado em 2005 pelo seguinte placar: 293 a 192. Performance melhor do que a de Silveira.

SINAIS PARTICULARES.
Daniel Silveira, deputado federal (PSL-RJ)

Ilustração: Kleber Sales

Pode? Parlamentares contrários à troca de comando na Petrobrás iniciaram discussões no Congresso para avaliar se é possível alguma ação do Legislativo contra a decisão de Jair Bolsonaro pela demissão de Roberto Castello Branco.

A ver. No calor do momento, surgiu a ideia de uma CPI. Difícil a questão avançar com Arthur Lira no comando da Câmara.

Radar. Enquanto não assume o Ministério da Cidadania, João Roma (Republicanos) toma pé da situação da pasta. Esteve com técnicos na Economia para discutir programas sociais e quer se encontrar com Paulo Guedes antes da posse.

CLICK. O futuro ministro da Cidadania, João Roma (Republicanos), participa, de sua casa, em Salvador, de reuniões virtuais com a filha Clarice no “cangote”.

Coluna do Estadão

Ajuda… O vereador de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) não perdeu tempo. Mandou e-mail a Onyx Lorenzoni e a Roma, “ex” e futuro ministro, pedindo conversa sobre a renda básica. Lembrou que a lei, quando aprovada no Congresso em 2004, contou com os votos do próprio Lorenzoni e até de Jair Bolsonaro.

…Bolsonaro. Suplicy, claro, aproveitou e pediu ajuda de ambos a uma mãe de três crianças, desempregada, que não consegue regularizar sua situação no cadastro social do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do Capão Redondo, bairro da zona sul da capital paulista.

PRONTO, FALEI! 

Salim Mattar diz que não se pode agradar a todos Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Salim Mattar, ex-secretário de desestatização do governo Bolsonaro: “Lastimável a decisão do governo de tirar Roberto Castello Branco do comando da Petrobrás. Roberto é um profissional extremamente qualificado que tirou a empresa literalmente do fundo do poço após o maior escândalo de corrupção do planeta. Em seu lugar será nomeado mais um militar.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.